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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Lista de Ano Novo



Todo início de ano eu não resisto e caio numa armadilha de autoajuda pra dizer que a vida é nova. Trata-se de uma pequena lista, ao menos a ideia é que seja pequena, de três coisas no máximo, para que só as grandes permaneçam, três grandes coisas que você quer realizar no ano que vem e três que você fez no último, isso para te dar o fôlego de pensar grande, já que conseguiu então fazer tais coisas no passado pode também sonhar algo à altura para o futuro.

Este ano não foi diferente e pus-me a pensar no que gostaria para o próximo ano. 

Vazio. 

Como se me sentisse tão realizada com tudo que já está acontecendo que não houvesse nada com o qual sonhar, mentira cabeluda essa. Pensei mais e de novo caí no vazio, como pode coisa dessas, vou começar com “emagrecer” que não tem erro, é o que encabeça a lista há pelo menos cinco anos.

Travei.

Melhor pensar no que realizei em 2014, assim as coisas correm, como já expliquei basta lembrarmos de quanto somos maravilhosos para sonhar com maravilhas.

Para minha total incredulidade esta lista também não saiu. Vamos lá, pense, pense, peeeeeeeeeennnnnsssseeeeeeeeeeee

e me vem então, claro!, as viagens que realizei, Chapada Diamantina, uma road trip fantástica, vi a cachoeira mais bonita da minha vida, chama-se “Buracão”, você tem que ir lá, foi o Spielberg quem fez, tô te dizendo, ele veio ao Brasil, aos rincões da Bahia para isso e se saiu muito, muito bem.

E depois o Chile, e subi um vulcão que depois vim a saber que estava ativo, bem ativo por sinal, dois sinais pra ser mais exata, é assim que um dos três corpos de bombeiros da cidadezinha avisa que o sinal já não é mais verde, de vulcão tranquilão, mas amarelo, de vulcão espreguiçando. E vi a neve pela primeira vez, e brinquei com ela, arrá, vamos lá, essa lista que nada tinha começa a dar ares de especial.

Então:

1) Conheci a cachoeira mais bonita
2) Brinquei na neve

E aí fica faltando só uma, mas de qualquer forma me parece tudo muito estranho, meio hipócrita, que realização foi essa afinal, a neve sempre esteve lá, assim como a cachoeira, a única coisa que fiz foi comprar uma passagem, quiçá dirigir um bom bocado, e nadar, nada mais, mas o que é isso, pra se comprar passagem precisa de dinheiro, a cara do sucesso, você conseguiu dinheiro pra isso, sim, mas não era uma meta, assim, só depois que cheguei lá é que vi que a cachoeira era a mais bonita, e que no vulcão tinha neve, façamos o seguinte então, transformemos os dois pontos em apenas um para que a coisa fique justa.

Ah, sim! Abri uma empresa!

Portanto: 1) Conheci a cachoeira mais bonita AND brinquei na neve; e 2) abri uma empresa. 

Só falta um.

Se bem que sejamos justos, não fosse a encheção de saco do meu namorado eu jamais teria levantado as perninhas pra começar esse CNPJ. Tá, mas você aceitou, e você é taurina, morre de medo dessas coisas, vale um ponto inteiro sim e a lista se mantém, senão jamais terminaremos essa bagaça antes de começarem a pocar os fogos de 2016.

3) Comecei a tomar tarja preta

Ah é, isso não é bom, nem era uma meta também, se bem que tem lá o seu glamour, noooossssa, trabalhei tanto que entrei no tarja preta, mas nós dois sabemos que isso é uma mentira também, nunca adoeci de trabalho, não foi agora, ainda não sei porque foi, o cretino do psiquiatra não me responde, aposto que ele já descobriu e não me conta pra continuar tirando meu dinheiro toda semana, vou falar pra ele ir gastar lá naquela cachoeira da Chapada que pelo menos me sinto sócia de algo que realmente gosto.

Voltando à lista, isso não é bom, se você colocou isso na lista é porque passou o efeito do último que tomou, inventa algo mais bacana.

3) Emagreci

Fato. Emagreci mesmo. Mas foi por causa do tarja preta e não de alguma coisa mais bacana, tipo suor e dedicação. E depois que descobri que não morre se beber álcool tomando tarja preta engordei tudo de novo e meu sonho de sair nas fotos do Ano Novo sem parecer a irmã gêmea do Mocotó no tempo que era DJ foi por água abaixo. Então tá.

3) Descobri que não morre se tomar álcool com tarja preta

Essa é boa. Mas se tem a maior ressaca do mundo, vou te dizer. Não tente fazer isso. Sério.

Beleza, fechamos por aqui, só falta fazer a lista de 2015 agora. E depois do “emagrecer” foram vomitados mais 10 pontinhos de coisas a se realizar, depois lembrei de mais um, esqueci agora, mas tem outro, que pode ser “parar de tomar álcool com tarja preta”, isso, meleca, já tem doze. Os outros não vou contar, ora, isso é coisa que se pergunte? Desejo é que nem dente de leão, se você joga no vento, esvanece, meu filho.

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Pensei no que eu queria alcançar para 2014, será que consegui realizar aquilo que escrevi no Ano Novo velho? Não sei. Não lembro mais e não faço ideia de onde foi parar o papel.


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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Reabrindo os trabalhos



Senti culpa. Senti em todas as cinco cidades nas quais pernoitei na Bahia. Senti todos os dias. Pensava no tamanho do problema que encararia assim que o ano começasse, precisamente no dia 1º de fevereiro, já que este ano o carnaval só será em março. Senti que minha vida estava suspensa, e aproveitei enquanto os cabos não fossem cortados pela dura, duríssima realidade. A culpa no frescor aumenta a temperatura da rotina, todos sabem não é? Nem será tão ruim assim, agora que começou. Só tinha que começar.

2014 veio com o cavalo de madeira. Sabem, nas passagens de ano eu fico assim, mística, quase apocalíptica, não importa se a soma dos numerais vai dar num número primo ou não. Então esse ano eu já estou munida (há bastantes meses, inclusive), do meu livro personalizado de horóscopo mês a mês e já está no meu quadro imantado a cola da minha leitura do tarô do ano. Também li cartas para todos os pobres que aceitaram minha disponibilidade insistente de taróloga voluntária para assuntos de ano novo, tudo para ter uma ideia geral de como será esse pacotinho de 365 dias, se não me engano sem bissextualidade dessa vez, sempre alardeiam na TV quando o ano resolve mudar sua orientação com um parafuso a mais, mesmo que isso, tediosamente, seja repetido ad eternum de quatro em quatro gerações.

Então, segura peão! Que você está lendo uma pessoa pós-graduada em 2014! Para começar: esse é o ano do cavalo de madeira, como já disse, só que isso é no horóscopo chinês. Lá tem uns doze bichos e uns cinco elementos, se não me falha a memória, que vão se combinando para trazer ao ano lufadas de características parecidas. Esse cavalinho traz a força para os novos projetos. Então, desengaveta aí aquela ideia antiga e arregaça as mangas, que se você acreditar, igual quando passa a estrela cadente, mas só que com muito mais esforço, tipo o esforço de você pegar uma estrelinha que tava lá parada, olhando pro horizonte, e desse um peteleco de 700 milhões de quilojoules para ela cair, aaaahhhh, olha só, que sorte, uma estrela cadente, aí sim os seus projetos se tornarão realidade.

Faz todo o sentido! Nas minhas leituras de tarô para os outros (e para mim também, tenho que confessar), saiu um bocado de cartas do piru (isso é uma gíria para quem nasceu antes do ano de George Orwell, não tem conotação sexual, e se você não sabe qual é o ano de Orwell, mesmo que tenha menos de 30, deveria se informar melhor, ler mais livros que tem coisa que é pra todo mundo, meu filho), então, cartas do piru, tipo A Torre, A Morte, o Dez de Espadas, cartas que dão o peteleco da estrelinha pra sua vidinha que tava tão lindinha virar um verdadeiro caos. A boa notícia é que é você quem dá o peteleco!

Eu “inventei” um método novo de leitura que traz dois baralhos ao mesmo tempo para a mesma situação, e já deu certo isso, então a gente fica sabendo melhor ainda como se dará a tal situação, então do lado dessas cartas do piru vinham sempre cartas muito joias para dar uma contrabalançada na fuzarca, o que significa que todo mundo vai tentar f*** com a rotina e que isso será muito bom.   

Tá se identificando? Pois bem. Sabem, dizem que essa coisa de uma pessoa ficar doidona pra saber o futuro nada mais é que uma atitude infortunada de tentar controlar o incontrolável, ou seja, a vida, o destino, os dias, as horas, caso você esteja com o probleminha mais avançado, tipo eu. Mas acho que é meio que inofensivo, se você não pensar demais nisso. O mínimo que pode acontecer é você se sentir corajoso a fazer uma cagadas, e nisso eu boto muita fé.


Feliz 2014 para vocês!



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