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quinta-feira, 16 de abril de 2015

#rioaos30FDS: Sana

Acho que foi há uns quinze anos, na Escola Técnica do ES, ainda, quando ouvi falar pela primeira vez no Sana. Desde aquela época já era um conhecido lugarzinho bacana pros doidão hippie fumar maconha e tomar banho de cachoeira. Apesar de eu não ser hippie e não fumar maconha, sempre gostei desse tipo de lugar. Por alguns dias, a gente pode parar de pentear o cabelo, andar de havaianas e não precisa se preocupar nem com batom na mochila, o que pra mim é um oásis no meio das roupas passadas sapatos bico fino maquiagens base pó primer corretivo secador de cabelo de todas as gravações. Pois bem.

No último feriado eu consegui ir ao Sana! Olha que legal! Comemora, gente! São quinze anos! E vou te dizer: é mesmo um lugar pros malucos fumarem maconha e tomarem banho de cachoeira. Uma delícia!

No primeiro dia eu só dormi. De verdade. Eu precisava, e não achei nada mal ficar olhando pra essa vista verde da janela enquanto o sol caía devagarzinho, o frio vinha de mansinho e os mosquitos me jantavam.




É, se você é daquele tipo que tem horror a umas picadas e talz, bem, natureza é isso também.

Fiquei hospedada no Iaiá Hostel, uma casa muito aconchegante do casal Iaiá e Gabriel. Eles têm duas crianças fofas que são apertáveis a quem se interessa. Eu me interessei muito. E a sala e a cozinha, como é de praxe nos hostels, são abertos aos hóspedes. Do jeito que eu gosto.



O Gabriel toca numa banda muito boa, e se você gosta de um som brasileiro ao vivo, vai gostar de saber onde a turma vai se apresentar à noite. Normalmente o bar ficava lotado quando eles começavam a tocar, então é bom chegar mais cedo. Apesar de que, os shows começam mais tarde, tipo meia-noite. Mas você pode ficar curtindo uma Heineken ou uma Bud, que é bem fácil de achar pelos bares de lá. E as coisas não são caras, pelo menos pro padrão Rio. Para a banda, separe uma gorjeta bacana. Eles não cobram couvert, só passam o chapéu, uma boa oportunidade pra você mostrar que valoriza!

Bem, vamos ao que interessa: as cachoeiras! No dia seguinte acordei descansada o bastante para topar uma trilha. Você não precisa de carro para ir para as cachoeiras, aliás, nem rola. Todo mundo pega a estrada da roça durante o dia e sobe em direção a elas.



Pelo caminho, você ainda pode apreciar as placas do caminho, e rir um bocado com a criatividade e espontaneidade da galera local...




Optei por ir direto para a cachoeira que fica mais longe, creio que o nome seja Sete Quedas. Dá uma olhada nisso:



Essa é daquelas cachoeiras que você pode ficar debaixo, olhando a água virar um lençol por cima de você. Água cristalina e... gelada. Paciência, é uma cachoeira.

Depois desci para a segunda cachoeira. Esta é menorzinha, mas muito charmosa. Em volta tem uns poços onde se pode tomar banho com mais tranquilidade.




Enfim, a primeira cachoeira. Esta é a mais famosa e frequentada, tanto pela facilidade da trilha quanto pela brincadeira. Nela, é possível escorregar e cair direto numa piscina de água doce. Dá pra passar o dia fazendo isso!




Vamos a algumas dicas: as trilhas são bem tranquilas, se você não tem nenhum tipo de dificuldade de mobilidade vai chegar bem. Dá pra ir descalço, de havaiana, de tênis, como você quiser. Só fique de olho nas pedras escorregadias, principalmente depois de dias de chuva. A lama pode te deixar no chão se você não prestar atenção! Isso também serve para andar nas cachoeiras.

Pelo menos no feriado havia banquinhas com doces, salgados, água, chá mate e outras coisas pelo caminho ou na entrada das cachoeiras. É mais caro, mas é o preço de quem não quer carregar peso, né? Há, na maioria dos locais, opções vegetarianas e integrais.

Cuidado com o horário de voltar. Nas florestas o sol desce mais rápido e há sempre o risco de se perder. Mesmo sendo as trilhas bem abertas, é bom não facilitar.

Lembre-se que você está numa área de preservação ambiental. Leve sua sacola de lixo para recolher seus resíduos, não arranque flores e plantas, não mexa com os animais e não coloque som alto. Isso é poluição sonora e acredite, ninguém está indo pro meio do mato pra ouvir o funk, o arrocha, o eletrônico e nem mesmo o rock que você curte.

Bom Sana pra você!



 
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domingo, 8 de março de 2015

#rioaos30FDS: Paquetá

Sempre quis conhecer Paquetá, certeza que por causa da marca de sapato. Se algum lugar vira marca me dá uma coisa que eu tenho que ir lá. Tipo, fui pra Canoa Quebrada e nem é tão legal assim, mas eu tinha que ir por causa do raio daquele estojo. Mas vamos falar de Paquetá, que é mais pertinho.

Esta é uma ilha que fica a mais ou menos uma hora de barco do Rio. Num dia meio nhé, nublado e tal, é uma ótima opção. Não é uma ilha paradisíaca com águas cristalinas, não vá esperando por isso, daí que é melhor guardar aquele dia que você já encheu o saco de praia pra ir até lá. 

Sei que tava um dia nublado e meu querido amigo Alexandre topou fazer essa parada comigo. Acho que vale a pena. Rende boas fotos e um dia, no mínimo, diferente. Segue um "foto roteiro" pra vocês:

Pra ir pra Paquetá você deve chegar na Praça XV (estação Carioca do metrô, segue em direção ao Paço Imperial que você acha, já sabe, o Google Maps é nosso amigo). Lá tem uma divisão, do lado direito você vai pra Niterói, do esquerdo, bem menor e humilde, para a ilha. Sempre tem muitos velhinhos indo pra lá. 


Qualquer dúvida também, tem escrito em cima, em letras garrafais. Daí basta comprar um bilhete (R$ 10,00 ida e volta) e esperar sua barca sair. Sugiro entrar nesse site aqui: http://www.grupoccr.com.br/barcas/estacoes/paqueta?id=3
para saber o horário da próxima barca.



A barca é meio velha e lenta, mas você é turista e o passeio deve agradar. E é sempre legal passar por debaixo da ponte Rio x Niterói! 


Chegando perto já dá pra sentir o clima da vila bucólica.


E uma coisa fantástica sobre Paquetá é que lá não entra carro. Um verdadeiro bálsamo para ouvidos tão açoitados pelas buzinas dos motoristas cariocas...


A melhor coisa a fazer assim que chegar é alugar uma bicicleta. Dá pra rodar a vila toda e conhecer os pontos turísticos em uma hora, mais ou menos. As magrelas estão por toda a vila e são baratinhas. 



Se você não sabe andar nelas, também pode usar o serviço de um bike táxi, feitos especialmente para até duas pessoas preguiçosas ou que não tiveram infância andarem numa espécie de charrete. Sem preconceito, é lógico. 


Essa foi minha bike companheira nesse dia. Elas são tão fotogênicas! 



Paquetá é uma vila cheia de casarões antigos e casinhas fofinhas. As fachadas são lindas. 






Tem uns lugares muito bacanas para fazer fotos, tipo esse píer. 


Também rola de ir até lá e fazer uma selfie de cabelo lindo. 



Pode largar a bike por aí e ir explorar os mirantes e tal. Ninguém vai catar nada seu, outra coisa bizarra tão perto do Rio...



Dica: não encontramos bons restaurantes. Sugiro levar uns sanduíches e fazer o bom e velho piquenique! Bom passeio ;)

 

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

#Rioaos30FDS: Parque Lage


Uma das coisas que se deve fazer quando você pira é “se encontrar com a natureza”. Como eu já disse por aqui, estou em busca da cura para o Síndrome do Pânico, doença que está me impedindo de beber sempre que quero no momento. E me fazendo encontrar com a natureza.

Então estou aproveitando o ensejo para conhecer alguns dos lugares mais lindos do Rio de Janeiro: os parques. A cidade é repleta de florestinhas lindas com casarões e obras de arte e afins.  Eu amo florestinhas! Para os dias que você estiver num Rio nublado, elas são opções que não ficam em NADA atrás das famosas praias.

O primeiro lugar que me tirou o fôlego foi o Parque Lage. Margeando uma avenida do Jardim Botânico, seu muro antigo sempre me chamou a atenção, criando uma curiosidade para saber direito o que tinha atrás dele, não por conta da sua altura, baixa, por sinal, mas porque árvores grandiosas exercem o papel de guardiãs dos segredos dali. Estou falando a verdade, quando você entrar lá vai ver também.

                         foto retirada de oglobo.com


São trilhas e mais trilhas, ainda não consegui fazer todas, mesmo já tendo visitado algumas vezes. Algumas árvores têm raizes tão grandes que formam poltronas pra você sentar e ler um pouco à sombra. Eu fiz isso, e olhei pra cima, e vi o sol. E folhas que caíam, samborilando no zunido suave do vento. E olhei pro lado, e tinha uma menina fazendo pose para tirar foto do lado de um lago e voltei os olhos pro meu livro.


E de repente, andando por aí, você se depara com alguma construção. Umas são tímidas, como o antigo aqueduto, mais parece que a natureza foi tomando forma daquilo ali. Outras, grandiosas, fazem a gente até perdoar os portugueses pela bobajada que rolou por essas terras, aquele povo, afinal, tinha lá bom gosto. Dentro do casarão há um café muito bonito, que bom que é bonito, está sempre tão cheio que é impossível sentar, daí você cai numa outra tradição, o velho e bom piquenique, vale a pena, volte para a florestinha que alguma árvore vai gostar de ouvir suas fofocas e esticará os galhos pra você estender uma toalhinha xadrez de vermelho por ali.

Alguns lugares guardam exposições também. O Parque Lage é sede da EAV – Escola de Artes Visuais, e portanto também um centro com coisinhas interessantes para fazer nosso cérebro brilhar.

Fui lá para ler. Para convencer meu namorado de ir comigo, falei que podíamos ir de carro, no ar condicionado. E depois de meia hora de leitura, no auge da bênção lá das folhinhas, ele me perguntou “se demorava muito ainda pra gente ir embora”. Tava quente aquele dia. Resolvi que estava bom por ali, poderia ficar a tarde inteira, mas pelo visto ele não. Tudo bem. Eu já sabia o que havia por detrás daquele muro e sempre posso voltar.


Serviço:

Parque Lage
R. Jardim Botânico, 414 - Jardim Botânico, Rio de Janeiro - RJ, 22461-000
(21) 3257-1800

De bus: pegue o 409, passa em quase o Rio de janeiro inteiro e p



ara exatamente na frente do parque

Entrada de graça. Tem estacionamento no lugar com um preço até barato para os padrões do Rio, mas sempre tem fila pra entrar, pelo menos no fim de semana 

Tem mais coisa aqui:

E aqui:


 

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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Arte ostentação





Inventei de ir à exposição do Ron Mueck no MAM. Éééé, o Mueck, aquele das pessoas gigantes. Então. Não basta ter que enfrentar mais de uma hora na fila para ver uma exposição. Tem que aguentar as outras pessoas que vão na mesma exposição. Aquele monte de gente adulto velho criança carrinho de bebê tentando abrir espaço em meio à multidão de celulares e gente. Fiquei irritada. Odeio montes de gente.

Coloquei a culpa no FHC. Aaaaahhhh, a porra do real, do frango com iogurte. Chegamos na fase da arte, gente! A arte ostentação. Vejam só a minha tese e se não tenho uma pontinha de razão: Depois que a classe média brasileira começou a comer catupiry, ela acha que pode tudo. Porque pode mesmo! Você pode fazer tudo o que quiser, a única coisa que vai mudar é o número de parcelas do cartão de crédito.

Esse excesso de confiança na gente (nós, a classe média, perdão aí se você é “bem de vida”) fez com que uma mudança drástica acontecesse de uma geração pra outra. Veja bem: lembro que no tempo dos meus pais nem se COGITAVA coisas como férias no exterior ou pagar um milhão de pertrodólares para ir a um show. Se o show custava um milhão de pertrodólares, então não era pra mim. Ou, se eu era MEGA FÃ dos caras, se eram a banda que eu MAIS GOSTAVA NO MUNDO, aí a família fazia uma vaquinha pra que eu fosse. Assim era.

Hoje não. A coisa se inverteu de uma forma que se você NÃO FOR é meio embaraçoso. Como a gente pode sempre dividir no cartão, não existe mais dizer que “estou meio sem grana, não vai rolar”. Agora existe um “não gosto muito dessa banda”, e olhe lá. Você NÃO VAI AO SHOW DO RED HOT? VOCÊ NÃO VAI AO SHOW DA MADONNA? VOCÊ NÃO VAI À PEÇA DA MARIETA SEVERO?

Você tem que ir e tem que ter um smartphone também, para postar pelo um menos uma foto de que foi. Se você não provar ostentar que foi, é porque nem esteve lá. E não adianta querer tirar onda depois não.

Voltemos ao Ron Mueck - GENTE. Eu não conseguia chegar perto das obras. A coisa mais encantadora, que são as expressões, as cenas misteriosas que o cara consegue criar eram constantemente permeadas de gente entrando e ficando tempo demais DE COSTAS PARA AS OBRAS e tapando a minha visão. Para quê?

Para fazer a porra do #artselfieostentação, ué.

Gritei. Ô caralho, tem essas fotos todas na internet, gente! Não funcionou. É lógico. Tem todas as fotos do Ron Mueck, das obras do Ron Mueck, da mãe do Ron Mueck, mas quem é o Ron Mueck senão um ótimo cenógrafo que faz um belo fundo de foto para a minha cena onde em primeiro plano entra EU, o grande artista afinal de contas, não é mesmo?

Aí veio também arte selfie ostentação das madame. Um monte de madame fazendo fila para tirar foto do lado das grandes letras escritas na parede, “RON MUECK”. WTF???? Você está tirando fotos do lado do nome do ACLAMADÍSSIMO RON MUECK, aquele mesmo que até aparecer no Jornal Hoje ninguém tinha ideia de que cor era o nariz?
Aff....

Praguejei o nome das pessoas que deixaram fazer fotos. Detalhe: não podia tirar com flash.  Pobres coitados dos estudantes de arte que tentavam em vão explicar isso aos lobos famintos do instagram com seus corby a postos, atentos a qualquer facho de luz que fizesse a falta de resolução ficar levemente disfarçada.

Escorreu preconceito aqui, tá bom. Já disse um ator certa vez para mim, “se a Globo faz a fila de gente triplicar pra ver uma peça (ou, nesse caso, assistir a uma exposição), que seja”. Os fins, nesse caso específico, justificam os meios. Mas vou te dizer: onde arranjo a caralha da paciência pra aguentar até esse povo todo entender que é uma baita falta de educação você achar que pode ficar o tempo que quiser tentando fazer a melhor pose na frente de uma obra enquanto 1254851346554 pessoas estão atrás loucas pra olhar um pedacinho que seja da dita cuja? Porque, sinceramente, eu vi todas as peças assim. De pedacinho em pedacinho. Depois juntava na minha cabeça.

Voltei à exposição para levar meus pais. Claro, eles têm mais de 60 anos, nem por cima do meu cadáver eu enfrentaria aquela fila de novo. Papai me perguntou de onde o Mueck era (sim, a maldição das perguntas insanas permanece para todo o sempre amém) e eu disse “Acho que é sueco”, que bom que existe a expressão “acho que”, porque ela te permite colocar qualquer coisa do lado dela, até uma palavra como “sueco” no lugar de “australiano”.

Então gente, por pura rebeldia eu não fiz fotos.
Pelo menos não muitas.
Pelo menos não comigo na frente.

Serviço:
Vá lá e não tire tantas fotos! As obras são lindas também!
O MAM fica no aterro. Salte na Cinelândia e vá em direção ao aterro, atravesse na passarela que você estará na frente.
O valor é R$ 14,00 inteira, R$ 7,00 meia para estudantes e idosos.
Dá pra comprar pela internet com antecedência e a fila é MUITO menor.
Entra aqui e compra http://www.mamrio.com.br/
Se não der, compre um velho na fila. Senão você vai ficar mais de uma hora esperando.

Aproveita pra ver outras coisas! Na exposição “A inusitada coleção de Sylvio Perlstein” tem obras de Magritte, Dalí e Duchamp no mesmo prédio. E este é um segredo que apenas dez porcento de quem vai lá ostentar com o Mueck descobre, então aproveita a diquinha!

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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Roteiro de um dia no Rio: Morro do Leme + pôr-do-sol



Ainda estava no horário de verão quando gravei esse vídeo. Lua e Quito são os companheiros desse dia ressaqueado e confuso que vencemos fazendo uma coisa super saudável: subir o Morro do Leme (que fica lá no cantinho à esquerda de Copacabana, é só andar até o final MESMO) e depois apreciar esse programa tão querido dos cariocas que é ver o pôr-do-sol. E nós só não batemos palmas porque estávamos com uma cerveja na mão.

Importante saber:
*A vista é linda, a "trilha" realmente é só um caminho. Só imbecis ressaqueados como nós parariam no meio do caminho para pegar um ar. 

*Não esqueça o papelzinho escroto que eles chamam de ingresso. 

*Leve água em estado líquido.

*Para informações sobre o quadriciclo, visite esse site: http://www.rio.rj.gov.br/web/riotur/exibeconteudo?id=1182160

*Para informações mais próximas da realidade sobre o Cristo Redentor e sua criação acesse http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristo_Redentor


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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Felicidade?!?@


                        foto: Caixa d'água, ES, 2012

Alguém aí tem visto a horrorosa novela das seis, se não me engano é a das seis, aquele puxadinho de Malhação intitulado “Além do Horizonte”? Não, né? Pois é. A trama trata prometia tratar, lá no início dos tempos, lá onde o horizonte fez a curva, sobre o tema “a busca da felicidade”. Até aí, tenho que te dizer que eu ia deixar me envolver, por um capítulo ou dois, pra ver se me embarcava na deriva de uma ficção que traz inclusive uma sociedade alternativa para a busca da tal felicidade, com direito a muitos vilões que sacaneiam as pessoas transformando-as em seres passivos e complacentes, hahahahhahaha, com ajuda de uma máquina poderosa, heheheh, um desbarato impossível de ser reproduzido aqui, assim, rapidinho, então nem vou tentar, até porque eu nem vejo, só ouço os diálogos, mal e porcamente, pro meu desprazer é a hora que estou na cozinha, onde só pega Globo.

Enfim! Alguém já me disse que dou voltas demais. A felicidade. Parece que o tema agora está na moda. Sabem, um professor muito bacana me ensinou, nos primórdios dos meus 15 ou 16 anos, quando eu fazia um workshop de roteiro pra cinema (sim, eu já era retardada) que existem pouquíssimos temas nos quais os autores deviam se engalfinhar para atingir a fama, e se esses fossem esprimidos, dariam num só: o amor. Gostaria de encontrar esse sujeito agora pra dizer pra ele que, nesse ínterim estranho de vida que estamos, parece que o mundo está cagando pro amor. Foda-se o amor. Agora o esquema é a felicidade! “Beijo na boca é coisa do passado; a onda agora é, é ser auto-suficiente”, ou “não procure a metade da laranja, seja você a laranja inteira”, ou “o homem mais feliz do mundo encontrou a felicidade dentro de si”, alguma frase de caminhão dessa você já leu, então captou a mensagem que o mundo quer cagar agora.

Eu concordo, tá gente? Concordo com isso. Mas tá sendo engraçado demais ver a contracorrente da geração Y, aliás, a contracorrente DA CORRENTE que prega que existe uma geração Y, e que somos nós, seres que não sabem lutar pela própria felicidade, que acha que ela deve cair do céu porque nós merecemos, porque somos bons, asseados e merecedores. Eu ainda não cheguei a uma conclusão sobre isso, de geração Y, e acho mesmo que estou tentando relacionar coisas sem sentido algum, ou minha incapacidade está em exprimir melhor a relação que vejo em todos esses discursos, e perdão por isso, MAS... o fato é que já leio bastante gente reclamando como eu, no post ainda mais lido desse blog, que esbravejar felicidade em facebook é um saco. Talvez a relação seja só esse excesso de palavras sobre o mesmo tema. Que antes era o amor.

Aí chegaram dois textos de blogs distintos para mim essa semana. Um de uma moça que se despede do Rio, outro de um casal que se despediu do Brasil, e os dois meio que embarcam nessa onda de dizer que estão, em maior ou menor grau, “em busca da felicidade”.  O primeiro é da jornalista Alexandra Lucas Coelho, disponível aqui: http://oglobo.globo.com/rio/alexandra-lucas-coelho-a-hora-da-despedida-11668912 .

Um texto forte, poético, que eu terminei de ler pensando WTF???? Ela gosta ou não gosta dessa merda, afinal de contas? Porque sinceramente, a moça deu uma de forte mas a minha vontade é fazer uns cafunés nela e falar “calma neguinha, faremos uma vaquinha pra você pagar seu aluguel”...

Tá, concordo com ela que a questão a ser colocada é ótima. Você se esgoelar para conseguir o dinheiro para pagar o aluguel é uma sensação horrorosa com a qual estão estou tão bem familiarizada que já nem faço piada mais. Mas se alguém perguntar se quero sair daqui eu não tenho dúvida nem por um segundo. É NÃO, em caixa alta, mesmo que essa resposta venha com um bom bocado de esperança da bolha imobiliária desinchar depois dessa caralha de olimpíada. E por quê? Porque acho que a cidade se paga em coisas gratuitas para se divertir, por exemplo. Porque acho que as possibilidades de fazer dinheiro são maiores. Porque ainda não gastei vida aqui o suficiente. Mas entendo se você não quiser ficar mais. Só não sofra tanto para tentar se convencer que é ótimo deixar o barco. Seja homem, mulher!

Tem uma coisa muito chata que vem com quem muda de cidade. Acontece com todo mundo. A pessoa fica fascinada com o novo lugar e fica jorrando isso aos quatro ventos, como tal lugar é maravilhoso, como tudo é mais legal, e também – por que não – há espaço sempre para falar mal da antiga cidade, tadinha, te abrigou tanto tempo, você se divertiu tanto nela, e agora ela é uma merda?! Bom, eu tive essa fase. Ficava tentando esconder, sem conseguir muitas vezes, porque sabia, lá no fundo, o quanto era ridículo. Tentei carregar meus amigos para cá, arranjei propostas de emprego para eles, fiquei horrorizada quando negaram, não entendia a atrocidade de tal decisão. Hoje, percebo claramente o que era isso: a parte mais sofrida da MINHA escolha. A saudade, que está levemente retratada no último texto do outro blog de que lhes falei, o www.gluckproject.com.br. O site, também de jornalistas, fala sobre a busca da felicidade de uma forma mais irônica, e eu me identifico bem com eles, inclusive porque são como porcos a escrever, sem se preocupar com a lavagem no ventilador, por aí.  

Vamos aos fatos, então. Pelo menos dois amigos meus deixarão de viver no Rio este ano. Tá achando pouco? Quantos amigos você acha que eu tenho aqui? Amigos de verdade, que eu posso ligar até encher o saco, pra tomar uma cerveja na quarta-feira? Não são muitos, nem aqui nem no mundo... E quer saber? Dei força para os dois. Cada um sabe onde a sua felicidade está. Qualidade de vida é uma coisa que se compra, sim, e aqui tá caro demais, eu sei. Sentirei saudade, como quem, de dieta, sabe que para sempre não pode comer chocolate, só muito de vez em quando, só para te lembrar do quanto você é infeliz por ser gorda. Isso pode ser uma abstinência tão grande no primeiro ano que pensei que fosse depressivar, só de sentir saudade, e ninguém fala disso, não é mesmo? Claro, depois passa. A ponto da gente conseguir dar força pros amigos que querem mudar daqui.


Credo, que texto triste, sem cara de Facebook... chega. Acho que vou começar a falar de amor.    


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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Dia de museu com Maul



Algumas pessoas muito, muito próximas, estiveram me encorajando a fazer mais vídeos, nem que fossem menores, do celular mesmo, já que colocar uma equipe de gravação na rua é tão fácil quanto levantar uma tenda de circo. (Vejam bem, essas pessoas são realmente próximas, já que ninguém em sã consciência pediria a desconhecidos para fazer registros no celular porque querem ver vídeos caseiros).

Bem, como a fanfarronice vem cada vez mais tomando conta da minha personalidade, resolvi brincar disso e ver o que saía. Aproveitando a visita de um amigo muito querido, e aproveitando que ele me fez sair de casa no verão do Rio de Janeiro não para ir à praia, não para beber uma gelada, nããããão, mas para ir a MUSEUS, que é coisa boa demais para fazer no verão do capeta dessa cidade, enfim, empolguei e fiz uma versão do Rio aos 30 “selfie”! (uma ótima justificativa pobre com um termo da moda).

Então enquanto a galera Cazota prepara uma coisa mais bacaninha, com uma câmera de verdade, fica aí uma brincadeira para vocês que não tem absolutamente mais nada para fazer ou que adooooram ver vídeos caseiros alheios. E claro, para quem estiver por aqui e quiser muito não beber uma cerveja, não ir à praia, etc etc etc, fica a dica do roteiro desse dia para marinheiros de primeira viagem.

PS: Tem ar condicionado em todos os centros culturais do Rio.

SERVIÇO

Bienal de Caricatura
Uma furada. Só vá lá se você estiver de passagem, ou para visitar o próprio Museu da República, ou se você quiser ir ao cinema de lá, ou se você for muito, muito fã de caricatura.
A mostra fica no Jardim Histórico do Palácio do Catete, que fica exatamente em frente à estação do metrô Catete. São seis painéis expostos com a arte de Jorge Guidacci. E só.
Em cartaz até dia 20 de fevereiro, de segunda a sexta, das 8h às 18h, entrada grátis.

Oi Futuro Flamengo
Dá tranquilamente para ir andando do Palácio do Catete para o Oi Futuro Flamengo, que fica na rua Dois de Dezembro, 63. Basta seguir pela Rua do Catete para a direita de quem olha o Palácio, a rua Dois de Dezembro é uma transversal. (A distância entre os dois pontos é de 700 metros).
Nesse centro fomos visitar a mostra do cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul (cujo nome é impronunciável, fique tranquilo). Tem sete curtas sendo exibidos simultaneamente ao longa mais conhecido do artista, chamado “Hotel Mekong”. Gostei muito de Ashes (2012),Uma Carta para o Tio Boonmee (2009) e O Hino (2006).
Fica só até o dia 09 de fevereiro, das 11h às 20h, entrada grátis e classificação livre.

Casa Daros – Botafogo
Seguimos até o final da rua do Oi Futuro Flamengo e encontramos um ponto de ônibus logo de cara, no aterro, onde pegamos o 107. De lá saltamos no ponto mais próximo da Casa Daros. (Se você é de fora, não fique intimidado a pedir informações aos trocadores e motoristas, eles estão mais do que acostumados e quase sempre são muito solícitos). Se você fizer esse mesmo caminho, vai saltar do outro lado da rua. Nem tente atravessar por cima, é a saída do aterro, uma via expressa perigosa. Há uma passagem subterrânea mais à frente, ande até lá e passe por baixo.
A Casa Daros é super bonita e tem sempre uma programação agitada, por vezes se estendendo até a festinhas à noite. Lá vimos duas exposições muito legais: a “Le Parc Lumière”, de Julio Le Parc, e Matriz de Voz, de Rafael Lozano-Hemmer.
Le Parc Lumière é um parque de diversões luminosas, e todas as paredes da Casa Daros foram pintadas de preto para que você ande num breu total. Inclusive os seguranças pedem que você fique três minutos numa antessala até que sua retina se acostume com a escuridão, para só depois andar com segurança pelos salões. 
A exposição fica até o dia 23 de fevereiro, das 11h às 19h (domingos até 18h). O ingresso para conhecer todas as exposições da Casa custam R$ 12,00 inteira.


Matriz de Voz é a experiência de gravar a voz em uma sala com uma brincadeira de iluminação. Esta fica até o dia 09 de março e está no “pacote” da Casa Daros.  



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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Reabrindo os trabalhos



Senti culpa. Senti em todas as cinco cidades nas quais pernoitei na Bahia. Senti todos os dias. Pensava no tamanho do problema que encararia assim que o ano começasse, precisamente no dia 1º de fevereiro, já que este ano o carnaval só será em março. Senti que minha vida estava suspensa, e aproveitei enquanto os cabos não fossem cortados pela dura, duríssima realidade. A culpa no frescor aumenta a temperatura da rotina, todos sabem não é? Nem será tão ruim assim, agora que começou. Só tinha que começar.

2014 veio com o cavalo de madeira. Sabem, nas passagens de ano eu fico assim, mística, quase apocalíptica, não importa se a soma dos numerais vai dar num número primo ou não. Então esse ano eu já estou munida (há bastantes meses, inclusive), do meu livro personalizado de horóscopo mês a mês e já está no meu quadro imantado a cola da minha leitura do tarô do ano. Também li cartas para todos os pobres que aceitaram minha disponibilidade insistente de taróloga voluntária para assuntos de ano novo, tudo para ter uma ideia geral de como será esse pacotinho de 365 dias, se não me engano sem bissextualidade dessa vez, sempre alardeiam na TV quando o ano resolve mudar sua orientação com um parafuso a mais, mesmo que isso, tediosamente, seja repetido ad eternum de quatro em quatro gerações.

Então, segura peão! Que você está lendo uma pessoa pós-graduada em 2014! Para começar: esse é o ano do cavalo de madeira, como já disse, só que isso é no horóscopo chinês. Lá tem uns doze bichos e uns cinco elementos, se não me falha a memória, que vão se combinando para trazer ao ano lufadas de características parecidas. Esse cavalinho traz a força para os novos projetos. Então, desengaveta aí aquela ideia antiga e arregaça as mangas, que se você acreditar, igual quando passa a estrela cadente, mas só que com muito mais esforço, tipo o esforço de você pegar uma estrelinha que tava lá parada, olhando pro horizonte, e desse um peteleco de 700 milhões de quilojoules para ela cair, aaaahhhh, olha só, que sorte, uma estrela cadente, aí sim os seus projetos se tornarão realidade.

Faz todo o sentido! Nas minhas leituras de tarô para os outros (e para mim também, tenho que confessar), saiu um bocado de cartas do piru (isso é uma gíria para quem nasceu antes do ano de George Orwell, não tem conotação sexual, e se você não sabe qual é o ano de Orwell, mesmo que tenha menos de 30, deveria se informar melhor, ler mais livros que tem coisa que é pra todo mundo, meu filho), então, cartas do piru, tipo A Torre, A Morte, o Dez de Espadas, cartas que dão o peteleco da estrelinha pra sua vidinha que tava tão lindinha virar um verdadeiro caos. A boa notícia é que é você quem dá o peteleco!

Eu “inventei” um método novo de leitura que traz dois baralhos ao mesmo tempo para a mesma situação, e já deu certo isso, então a gente fica sabendo melhor ainda como se dará a tal situação, então do lado dessas cartas do piru vinham sempre cartas muito joias para dar uma contrabalançada na fuzarca, o que significa que todo mundo vai tentar f*** com a rotina e que isso será muito bom.   

Tá se identificando? Pois bem. Sabem, dizem que essa coisa de uma pessoa ficar doidona pra saber o futuro nada mais é que uma atitude infortunada de tentar controlar o incontrolável, ou seja, a vida, o destino, os dias, as horas, caso você esteja com o probleminha mais avançado, tipo eu. Mas acho que é meio que inofensivo, se você não pensar demais nisso. O mínimo que pode acontecer é você se sentir corajoso a fazer uma cagadas, e nisso eu boto muita fé.


Feliz 2014 para vocês!



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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sobre a culpa

                            foto: Igor Borgo


Estou pronta para tirar as minhas primeiras férias desde que me mudei. Prontíssima! Contando os dias! Como todo bom assalariado que se presta. Não, melhor. Bem melhor.

Olhei para frente e vi as águas azuis de uma caverna da Chapada Diamantina. É para lá que, se Deus quiser e o Diabo não se opuser, descansarei meu corpinho riscado, gordolento e fatigado  dos últimos anos. Não lembro quando foram, oficialmente, minhas últimas férias. Sei que fui à praia algum dia de semana nesse meio tempo, o que, a olhos menos atentos, já valeria um mês de férias só pela ousadia, nesse mundo que tanto preza as oito horas e mais uma de almoço e mais três de deslocamento. Não estou reclamando. Só estou te dizendo que talvez essas sejam as férias mais maravilhosas que vou viver, com certeza a que está me criando mais expectativas, e só por um motivo: o que mata o freela não é o excesso de trabalho, e sim a abundância de culpa.

Para te falar a verdade ainda não me acostumei. Essa coisa de ficar em casa é muito estranha. A gente vai ficando obcecada com limpeza, com produtividade, com disciplina, e nunca consegue fazer tudo o que está na famigerada lista que faço todo santo dia. A gente sabe que tem que trabalhar – por si próprio, por suas ideias, senão ninguém mais no mundo o fará. A gente tem que aprender muito mais também, porque não tem que entregar um serviço do jeitinho que já foi pedido um milhão de vezes, mas fazer coisas novas o tempo todo. Trabalhar a criatividade, principalmente puxando a própria orelha três, quatro, cinco vezes ao dia que te dá vontade de deitar e ver uma TV. Ou dar uma faxina melhor na cozinha, meu bem, como você pode não perceber, em cima dessa geladeira está um CAOS!!! Não, não vai dar para sentar e escrever NADA agora, preciso pelo menos passar um paninho ali, vixe, tá grudento, preciso de bucha, e bombril, deixa de molho no mr músculo, juro que não vou ficar olhando a sujeira se desintegrar com o passar do tempo, jesus cristinho, são cinco horas da tarde e eu nem li o que me impus de meta para hoje, como o tempo passa rápido quando se está em casa, mas será? Será mesmo que eu produzia muito mais quando estava num ambiente de trabalho habitual, ou o fato, o fato verdadeiro, é que o que eu não tinha era essa porra de CULPA, essa CULPA GIGANTE que todo mundo que é freela ou faz mestrado tem, que se tudo der errado A CULPA É SUA, seu preguiçoso de uma figa, já sim, todos perceberam que não vai ser o suficiente, o tanto que você lê, e vê, e escreve não será nunca o suficiente, então porque eu morro de culpa? E olha que nem topei entrar na turminha de mestrandos Jesus, já te disse minha filha, porque se você não fizer o que botaste na tua cabeça que tens a fazer ninguém mais o fará e principalmente porque ninguém, além de você, vai se julgar com uma crítica tão cínica, meu Pai como você é cínica, com os outros dá pra ter uma ideia, mas contigo mesmo, minha filha, tu é muito pior, vai acabar ficando velha e cheia de rugas mesmo antes do tempo. Ah, a culpa então não é do vinho não? Tá vendo, tá aí, na sua boca, falando de novo que a culpa é sua, eu não disse nada. Gente, é mesmo, preciso de terapia, que porra é essa? Veio da minha infância é? Sei lá, mas acho bom você se curar antes de ter filhos, dizem que piora.

Porque é tão difícil dizer “estou tirando férias porque mereço”? Porque desde que inventei essa merda de história de recomeçar aos trinta só o que faço é viver um dia de cada vez com a leve impressão de que os anjinhos da guarda estão pregando peças em mim, fazendo um teste para ver se eu permaneço de pé, tornando as coisas um pouquinho, só mais um pouquinho difíceis do que para todo o resto do mundo, como procurar apartamento por quatro meses a fio, só para começar a história. Ah, além de culpada é egocêntrica, a vida é assim mesmo minha filha, para todo mundo é difícil, e você tá se fazendo de vítima para quê, se é tu mesmo que vai ter que resolver as paradas todas até desanuviar essa borreira na qual transformaste tua vida? Cala a boca, vai dormir, minha vida tá ótima, só falta eu sobreviver mais uma meia dúzia de dias e entro no estágio semi-consciente que a estrada vai me proporcionar, para bem longe, bem longe, bem longe daqui e da sujeira de cima da geladeira.


Não existe culpa nas águas azuis da caverna da Chapada, porque lá eu vou estar bem longe de mim.





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sábado, 7 de dezembro de 2013

Mercado de peixe – Sobre as gravações do Rio aos 30 #04



Sabe, eu e meu namorado não gostamos de Niterói. Primeiro vou contar essa historinha para vocês entenderem o preconceito com o qual já fui para a pauta, apesar de ter a cabeça aberta, amar frutos do mar e achar meu namorado às vezes muito exagerado. Vamos lá.

Mudamos para o Rio, meu namorado havia sido chamado para trabalhar no Centro, eu encontrei um apê legal na Tijuca, a vinte minutos de ônibus do serviço dele. Tudo perfeito, até que a empresa resolveu que ele deveria ser transferido para a nova filial que abria em Niterói. Porran... O que eram vinte minutos viraram três a quatro horas diárias de locomoção que envolvia quatro ônibus e duas barcas, ida e volta. Rapidinho ele ficou estressadão e começou a achar Niterói uma merda. Aí você, como todo mundo em volta de mim, pergunta: então porque você não muda pra Niterói, se o valor do aluguel é bem mais barato lá? Porque eu não saí de Vitória para morar em Vila Velha, oras.

Sem preconceito. Sei que a questão aqui é Canon-Nikon, seu cu vai te dizer qual você gosta mais. Conheço várias pessoas que moram em Vila Velha e sei porque eles não trocam a cidade por nada: belas praias, bons bares, tem tudo em volta e um jeitinho mais bacana de lidar com as pessoas, os vizinhos, uma coisa de cidade que não é capital. Mas eu sei também porque os “Vitorianos” vestem a camisa. Porque para a gente, sinto muito, os canelas-verde sofrerão sempre de um “quase”.  E tá explicado.


Foi com essa doçura na alma que entrei na barca para chegar à quase cidade de Niterói para descobrir o tal famoso mercado de peixe, realmente muito bem falado e conhecido no Rio. A chegada tem uma vista bacana das coisas que Niemeyer desenhou por lá. Mas logo a gente chega numa cidade que me pareceu árida, sem árvores, sem vontade de cantar uma bela canção. Estava um calor senegalês e isso ficou impresso na minha memória (não que o Rio tenha tantas árvores assim, aliás precisaria de uma floresta amazônica para diminuir alguns graus no clima do capeta que essa cidade tem, mas voltemos a falar mal de Niterói que é esse o papo, eu sempre devaneio meu Deus).

Niterói. De cara a gente encontra a também famosa estátua do índio Araribóia, diz a lenda que ele passa a eternidade olhando invejosamente para a outra margem e pensando porque diabos logo com ele rolou o azar de ficar do outro lado da poça. Bom, mas o índio é fodão e inclusive denomina o gentílico da cidade, sabia?, sabia? Pois é, quem nasce em Niterói não é niteroiense não, rapaz, é araribóia, que aliás, além da oportunidade de ter nascido carioca e tirar onda com o resto do Brasil deve também ter perdido o acento.

Fomos caminhando até o mercado de peixe que é mesmo igual a qualquer outro do mundo: cheio de azulejo e fedorento. Até que pouco fedorento, haja vista o calor e a matéria-prima do lugar, o que determina de cara o frescor dos peixes comercializados por lá.

O mercado tem diversas bancas com lindos linguados, corvinas, cavaquinhas, vermelhos, polvos, lulas, caranguejos de “Marataíze”, ostras vivas gigantes pulsando dentro das suas aconchegantes conchinhas e lá no fundão um altarzinho para São Pedro abençoar a galera do mar. Isso é no primeiro andar. No segundo tem um monte de restaurantes, alguns maiores, outros com cara de botecos improvisados, o que, pelo menos no Rio, pode ser um indício de comida simples e boa. Isso sem esquecer a escada que liga os dois andares, porcamente decorada com um aquário moribundo com peixes geneticamente modificados pelo lodo acumulado na caixa de vidro por anos, não, por eras, aqueles peixes conversaram com São Pedro pelo que consegui ver através da verde cortina de musgo.


Escolhemos um restaurante maiorzinho, que dava para a bela vista (not) de fora. Ele tinha uma parede de vidro que ajudava a iluminação para a gravação, só por isso sentamos ali. A experiência não foi das melhores, para falar a verdade. Eu não sabia que tinha que avisar ao cozinheiro que não adianta ter um belo peixe fresco se você emborca o bicho na mesma gordura paleolítica do pastel de linguiça de porco. Quanta tradição!


Aliás, tem uma coisa bem bacana no mercado: você pode comprar o seu peixe lá mesmo e, por uma taxa, eles preparam para você. Acaba saindo o mesmo preço, mas pelo menos você viu a cara dele antes. O que não significa muita coisa se, repetindo, você é um imbecil que escolhe o restaurante pela luz e não pelo chef. E eu também não acho que os donos de restaurantes realmente preferirão comprar o peixe fora do mercado, então você pode estar trocando sovaco por axila, mas quem sabe ele não reservou aquele que não vendeu na semana passada para você, não é? Hum.



Serviço:
As ostras custam R$ 3,00 a unidade.
O Mac Donald’s é no caminho de volta para a barca.

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