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terça-feira, 1 de julho de 2014

O retorno do retorno de Saturno



Fiz 32 anos há dois meses, mais ou menos. Não teve festa, não teve bolo, não teve foto no instagram. Fiquei na conchinha, debaixo do lençol, curtindo essa coisa de ser introvertida. Sou tímida aos 32 anos. Ou mais impaciente. E mais cansada, com certeza. Para não irritar os outros com uma falsa euforia, guardei-me para dias melhores... Ora, esses dias estão ótimos! Porque não se pode curtir uma introspecção de vez em quando, não é mesmo?

Acho que ando falando demais com gente nenhuma. E gente nenhuma é, na maioria das vezes, uma ótima companhia.

Eu estava sofrendo há um tempo atrás pelas pessoas do passado sumirem, e alguma coisa de fato aconteceu. Como as experiências compartilhadas diminuíram agora, parece que estou me aproximando das pessoas distantes. Gente que não vejo há quinze anos cruza comigo em alguma rua do facebook e daí descubro que a pessoa tem uma história parecida, com alguns pontos de intersecção com a minha.

Isso aconteceu há pouco tempo com uma amiga dos tempos da Escola Técnica, acho que ela fazia Metalurgia, eu fazia Eletrotécnica (isso eu tenho certeza, por mais estranho que pareça), a gente se cruzou na biblioteca. Hoje, ela é continuísta de cinema em Sampa, e eu aqui, também na área audiovisual, no Rio. E o que temos em comum? Tudo, gente!

Fomos pra uma salinha (inbox do face) e ficamos conversando durante algum tempo. Falei pra ela dessa agonia louca que sofri há alguns anos. Essa vontade de chutar o balde tão longe que não daria pra ver onde ele cairia. E ela me presenteou com a teoria do Retorno de Saturno.

Ela descobriu uma parada astrológica que afirma que, por volta dos seus 28 anos, Saturno retorna na sua vida (não sei explicar essas merdas, não sou astróloga, mas deu pra entender), fazendo com que a gente sinta essa vontade doida de refazer a vida, de pagar as contas, de limpar o passado pra começar uma nova fase. Confessei que senti isso muito ao pé da letra, inclusive entrando em contato com pessoas de um lodaçal amontoado no passado pra ver se estava tudo bem, dizer oi ou desculpa.

“É isso mesmo!”, dizia ela, na nossa salinha. “Eu também passei por isso. E olha, às vezes Saturno bate tão forte na gente que dá até uns revertérios no corpo!”, “Jura, eu também, desmaiei algumas vezes, nunca descobri o porquê, só descobri a chatice do colesterol alto”, (aliás, preciso falar pra vocês, parei de tomar aquele remédio xexelento, tava me dando taquicardia, decidi que colesterol alto é relativo), e então ela disse “eu também! Passei mal e desmaiei algumas vezes”, que coisa, tá vendo, essa coisa de mudar dá nessas coisas.

Fiquei tão entusiasmada que dividi a história do Saturno com um amigo professor que de vez em quando dana a ouvir minhas lamentações à toa. Com seus cabelos prateados, como sempre, ele destruiu em uma frase aquilo tudo, “como a gente se encanta com a explicação fácil, não é mesmo?”

Pronto. Meu Saturno caiu, mais ou menos, porque essa história tava muito.bem.explicadinha pra eu deixar ela morrer assim. Só deu uma desativada na euforia. Mas eu sei que Saturno me atazanou, gente! Porque não é normal que eu apagasse as 28 velinhas e do nada virasse um cão babando de raiva (a doença, no caso, e “metaforicamente”, odeio quando as pessoas escrevem “literalmente” sem saber que porra é essa, fico morrendo de raiva, o sentimento, nesse caso), portanto, um cão sarnento procurando uma parede pra coçar as costas, mas tinha que ser uma parede bem longe, e aí, o final da história aposto que vocês já sabem, Saturno te dá quatro anos pra resolver essa parada. Até o 32. Pontualmente.

Aí você nem apaga velinha mais. É um regozijo interior (por que ainda usamos essa palavra horrível?), é uma dávida saber que você sobreviveu. E venceu. E lavou toda a sua roupa suja astrológica. Pode voltar pra sua casinha, Saturno! Pra quem tá nessa fase, eu afirmo, paciência que uma hora Saturno retorna do retorno.

PS> será que é Marte que tá aqui em cima agora?

PS2> ah não. É o ovário ruim.




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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Felicidade?!?@


                        foto: Caixa d'água, ES, 2012

Alguém aí tem visto a horrorosa novela das seis, se não me engano é a das seis, aquele puxadinho de Malhação intitulado “Além do Horizonte”? Não, né? Pois é. A trama trata prometia tratar, lá no início dos tempos, lá onde o horizonte fez a curva, sobre o tema “a busca da felicidade”. Até aí, tenho que te dizer que eu ia deixar me envolver, por um capítulo ou dois, pra ver se me embarcava na deriva de uma ficção que traz inclusive uma sociedade alternativa para a busca da tal felicidade, com direito a muitos vilões que sacaneiam as pessoas transformando-as em seres passivos e complacentes, hahahahhahaha, com ajuda de uma máquina poderosa, heheheh, um desbarato impossível de ser reproduzido aqui, assim, rapidinho, então nem vou tentar, até porque eu nem vejo, só ouço os diálogos, mal e porcamente, pro meu desprazer é a hora que estou na cozinha, onde só pega Globo.

Enfim! Alguém já me disse que dou voltas demais. A felicidade. Parece que o tema agora está na moda. Sabem, um professor muito bacana me ensinou, nos primórdios dos meus 15 ou 16 anos, quando eu fazia um workshop de roteiro pra cinema (sim, eu já era retardada) que existem pouquíssimos temas nos quais os autores deviam se engalfinhar para atingir a fama, e se esses fossem esprimidos, dariam num só: o amor. Gostaria de encontrar esse sujeito agora pra dizer pra ele que, nesse ínterim estranho de vida que estamos, parece que o mundo está cagando pro amor. Foda-se o amor. Agora o esquema é a felicidade! “Beijo na boca é coisa do passado; a onda agora é, é ser auto-suficiente”, ou “não procure a metade da laranja, seja você a laranja inteira”, ou “o homem mais feliz do mundo encontrou a felicidade dentro de si”, alguma frase de caminhão dessa você já leu, então captou a mensagem que o mundo quer cagar agora.

Eu concordo, tá gente? Concordo com isso. Mas tá sendo engraçado demais ver a contracorrente da geração Y, aliás, a contracorrente DA CORRENTE que prega que existe uma geração Y, e que somos nós, seres que não sabem lutar pela própria felicidade, que acha que ela deve cair do céu porque nós merecemos, porque somos bons, asseados e merecedores. Eu ainda não cheguei a uma conclusão sobre isso, de geração Y, e acho mesmo que estou tentando relacionar coisas sem sentido algum, ou minha incapacidade está em exprimir melhor a relação que vejo em todos esses discursos, e perdão por isso, MAS... o fato é que já leio bastante gente reclamando como eu, no post ainda mais lido desse blog, que esbravejar felicidade em facebook é um saco. Talvez a relação seja só esse excesso de palavras sobre o mesmo tema. Que antes era o amor.

Aí chegaram dois textos de blogs distintos para mim essa semana. Um de uma moça que se despede do Rio, outro de um casal que se despediu do Brasil, e os dois meio que embarcam nessa onda de dizer que estão, em maior ou menor grau, “em busca da felicidade”.  O primeiro é da jornalista Alexandra Lucas Coelho, disponível aqui: http://oglobo.globo.com/rio/alexandra-lucas-coelho-a-hora-da-despedida-11668912 .

Um texto forte, poético, que eu terminei de ler pensando WTF???? Ela gosta ou não gosta dessa merda, afinal de contas? Porque sinceramente, a moça deu uma de forte mas a minha vontade é fazer uns cafunés nela e falar “calma neguinha, faremos uma vaquinha pra você pagar seu aluguel”...

Tá, concordo com ela que a questão a ser colocada é ótima. Você se esgoelar para conseguir o dinheiro para pagar o aluguel é uma sensação horrorosa com a qual estão estou tão bem familiarizada que já nem faço piada mais. Mas se alguém perguntar se quero sair daqui eu não tenho dúvida nem por um segundo. É NÃO, em caixa alta, mesmo que essa resposta venha com um bom bocado de esperança da bolha imobiliária desinchar depois dessa caralha de olimpíada. E por quê? Porque acho que a cidade se paga em coisas gratuitas para se divertir, por exemplo. Porque acho que as possibilidades de fazer dinheiro são maiores. Porque ainda não gastei vida aqui o suficiente. Mas entendo se você não quiser ficar mais. Só não sofra tanto para tentar se convencer que é ótimo deixar o barco. Seja homem, mulher!

Tem uma coisa muito chata que vem com quem muda de cidade. Acontece com todo mundo. A pessoa fica fascinada com o novo lugar e fica jorrando isso aos quatro ventos, como tal lugar é maravilhoso, como tudo é mais legal, e também – por que não – há espaço sempre para falar mal da antiga cidade, tadinha, te abrigou tanto tempo, você se divertiu tanto nela, e agora ela é uma merda?! Bom, eu tive essa fase. Ficava tentando esconder, sem conseguir muitas vezes, porque sabia, lá no fundo, o quanto era ridículo. Tentei carregar meus amigos para cá, arranjei propostas de emprego para eles, fiquei horrorizada quando negaram, não entendia a atrocidade de tal decisão. Hoje, percebo claramente o que era isso: a parte mais sofrida da MINHA escolha. A saudade, que está levemente retratada no último texto do outro blog de que lhes falei, o www.gluckproject.com.br. O site, também de jornalistas, fala sobre a busca da felicidade de uma forma mais irônica, e eu me identifico bem com eles, inclusive porque são como porcos a escrever, sem se preocupar com a lavagem no ventilador, por aí.  

Vamos aos fatos, então. Pelo menos dois amigos meus deixarão de viver no Rio este ano. Tá achando pouco? Quantos amigos você acha que eu tenho aqui? Amigos de verdade, que eu posso ligar até encher o saco, pra tomar uma cerveja na quarta-feira? Não são muitos, nem aqui nem no mundo... E quer saber? Dei força para os dois. Cada um sabe onde a sua felicidade está. Qualidade de vida é uma coisa que se compra, sim, e aqui tá caro demais, eu sei. Sentirei saudade, como quem, de dieta, sabe que para sempre não pode comer chocolate, só muito de vez em quando, só para te lembrar do quanto você é infeliz por ser gorda. Isso pode ser uma abstinência tão grande no primeiro ano que pensei que fosse depressivar, só de sentir saudade, e ninguém fala disso, não é mesmo? Claro, depois passa. A ponto da gente conseguir dar força pros amigos que querem mudar daqui.


Credo, que texto triste, sem cara de Facebook... chega. Acho que vou começar a falar de amor.    


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