sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Degraus dalguma loucura



Como fazer pra calar esse leão que acordou dentro de mim? Se antes eu não tinha nenhuma energia pra fazer o que eu precisava, agora é como se um nódulo de força me impulsionasse pra frente, mais e mais, sem se importar com o que meu corpo sente. Sabe, quando você está cansado, e alguém resolve “te ajudar”, te empurrando pra cima de uma escada, e a tarefa fica ainda mais difícil, porque é o seu tempo em cada degrau que está sendo ignorado.

Choro besta, sem saber o porquê. Choro porque sei que a única resposta está na minha cabeça, que está compeltamente pifada. Choro porque sei que a única pessoa que pode despifar minha cabeça sou eu. Mas tenho tanta coisa pra fazer antes, mas sem a cabeça não consigo fazer.

Sorte do leão. Do nódulo. Sei lá.

Por que de repente todo mundo começou a perguntar a minha opinião, o que eu acho agora conta pra tudo, ah, responde o leão, você sabe que não é porque de fato é importante, você sabe que é porque se der merda foi você.

Não me prepararam pra decidir.

Não me disseram que a gente não tem escolha, que a gente vai afunilando, só me disseram que quem planta colhe, mas não me disseram que colher é isso, você precisa tomar uma decisão a cada broto, será que já está maduro o bastante, não é melhor pegar mais uma ou duas chuvinhas, não, precisam desse broto agora, então tá, tá bom pra você?, não, o broto podia ficar melhor se tivesse mais uma ou duas chuvinhas. Ou não. Talvez seja só minha inexperiência com os primeiros brotos, não sei ainda se vão sim ficar melhores ou se vão murchar ou se vão ficar exatamente a mesma merda e eu é que sou crítica demais.

Mas você tem que falar, não tem saída, tem que falar, é seu exercício, é seu carma, não gostei desse broto, pronto, falei. Tá, o que temos que fazer então? Porra, um exercício já cai no outro, dou a mão e me querem o braço inteiro, e só fortalece meu nódulo, leão, desculpa, que nódulo pode ser maligno, e leão a gente mata, um por dia, dizem por aí, por enquanto então é um nódulo, que cresce e cresce num corpo cansado, não, nunca pensando assim,  visualize um leão, visualizou? Agora mata essa porra.

Estou fatigada da plantação. Não consigo comemorar a colheita. Juro que em algum momento me disseram que colheita era a hora que você via o fruto vir a você, ninguém me disse que colheita era acordar cinco horas da manhã com uma cesta gigante e passar o dia debaixo do sol catando os frutos.

Ninguém me disse que também só tem colheita se colher.

Benção ou maldição? É algo que me pergunto cotidianamente, desde que resolvi mudar minha vida. Benção, é sempre a resposta, benção. 

Quando quase caio na maldição o universo  me diz que eu estou errada, abre o olho garota, sua ingrata. Toma aí, no meio de um livro velho, de um amigo velho, ou da vida velha, olha aí o seu contracheque. Tá pior agora? Não. Então, minha filha, é benção.

Vai pra academia, você precisa trabalhar. O leão você não aprendeu ainda a administrar, então vai fortalecer esses músculos porque a escada é grande. Grande não, não é essa a palavra. A escada é muito maior do que você imaginou, só isso.

Então é maldição!

Não. É benção. Que é maior porque você mereceu mais degraus. 

Raiva do leão. Ódio desse jumento desse leão. Faz elogiozinho pra diminuir a fadiga que ele mesmo provoca. 

Tá com raivinha? Então não faço mais elogio. Quer saber a verdade?

A essa altura você já devia perceber, garota. A escada, pra alguns, não tem fim.     






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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Orgulho e Preconceito



Entrei numa academia bonita.

Achei tudo super legal. Os professores de fato olham pro que a gente está fazendo e se preocupam com coisas como a nossa posição nos aparelhos. “Sua coluna está torta”, “obrigada, você reparou?, mas infelizmente ela É torta, por mais que eu me esforce, mas obrigada mesmo pela preocupação”, e tem uma série para a gente que sai cuspida de um computador, como se fosse uma conta, não deixa de ser, você que achou que aqueles quinze aninhos de cervejada não cobrariam por um preço alto depois.

E as meninas?

Achei a coisa mais lindinha as novas meninas de academia. A geração de vinte anos parece que saiu direto dos anos 80 pra malhação, com direito a Chiclete com Banana na lambaeróbica, não, quê isso sua velha, isso lá é coisa que se fala, bom mesmo é ouvir Tomate dançando Zumba, fazer esse tipo de comparação engraçadinha é coisa de quê, de gente velha, velha e amarga, que acha que sabe como são as coisas só porque já viveu exatamente aquilo. 

Lembro que na minha geração roupa de ginástica era roupa velha. A gente até gostava de ganhar camisa promocional, de evento, abadá, para poder cortar as mangas depois e ir malhar. Tinha até umas modas bizarras, a malha que era cortada dos peitos para baixo em tirinhas pra ficar style, ô Senhor, quando eu preciso lembrar o que vim comprar no supermercado não lembro por nada, mas essa imagem, que não serve pra absolutamente nada, por mais que eu me esforce para apagar e aqui ela está, e outro dia fui a uma loja de departamento, e pasmem, essas coisas estão sendo vendidas por dezenas de reais.


Enfim. As camisas a gente já pedia tamanho GGGGGG, que era pra tapar a bunda quando colocasse a bermuda de lycra neon, coisa ridícula. Como a gente era boba e avergonhada, hoje as meninas vão com calças psicodélicas bem justas, e ninguém se importa de deixar todas as partes à mostra, afinal o povo malha pra quê, não é mesmo? Pra usar calças psicodélicas neon e tênis multicoloridos neon e rabo de cavalo de lado igual Madonna naquele filme lá que ela era uma menina super levada e que não passa mais na sessão da tarde senão o povo vai descobrir que a moda vai e volta só pra dar tempo de você jogar fora e ter que comprar de novo. E miniblusas, isso voltou também, miniblusas não, cropped, cropped de malha escrito Girl Power.




A gente, que não gastava dinheiro nenhum por roupa de academia, até porque não tinha muito e a preferência era separar essa grana pra gastar em cerveja e cigarro e passagem de ônibus e cachorro quente, e hoje a gente acha normal desfilar em roupas de academia de marca, a gente menos eu, que ainda prefiro comprar camisas da Citycol que tapem meu quadril gigante e me deixem em paz quando tenho que fazer aquelas posições mefistofélicas das caneleiras, chafurdando num colchonete com cheiro de álcool e poeira do chão, aff como eu odeio esse negócio, se gostasse não ia pra academia, vou pra lá porque posso fazer essas coisas em aparelhos que diminuem minha fadiga em ter que puxar ferros sem ter nem pra quê, em aparelhos da minha altura e não no chão, chafurdando.

Apesar disso tudo minha admiração continua, eu correndinho na esteira no compasso do velho com meu Thriller a tocar, ver a desenvoltura dessas meninas é algo espetacular, no meu tempo a gente acreditava que ia ser estuprada se se fantasiasse assim e saísse pela rua, éramos tão medrosas, capaz de acreditarmos que a culpa ainda era nossa, quando o quê, é só o corpo humano, e os homens têm que aprender a não agir como animais, culpa nossa é o car**** seu imbecil acerebrado, eu tenho que ter o direito de usar o que quiser e essa geração iluminada está gritando isso, Girl Girl Girl Power!!!! Who run the world motherfucker???? #loveUBey.


E percebi que as meninas de hoje não só levantam a bandeira como gostam desse negócio, e das roupas super legais, dos tênis grandes e dos celulares, e sem nenhuma vergonha de mostrar o bumbum nas calças metálicas, as mais discretas usam calças brancas, BRANCAS, gente, no meu tempo isso nem sequer era fabricado, aí comecei a reparar numa coisa, que numa academia não tem mesmo muita coisa pra fazer a não ser tentar respirar e observar o resto, elas dão valor para que o bumbum fique perfeitinho, redondinho, sem marca da calcinha, e pra isso elas usam aquelas calcinhas, AQUELAS, que você se dispõe a usar por vinte segundos (entre o banheiro e o quarto), de dois em dois anos, pra mostrar pro seu namorado que afinal você também se esforça pra manter a relação, então, fio dental pra malhar, socorro Senhor, onde vamos parar, se na areia já não faz o menor sentido pra mim quiçá nesse lugar, nem pensar que um dia entro nessa, grazadeus que sou da geração que pode estufar o peito e dizer, “tem duas coisas nesse mundo que nunca vou ser, malhada de albumina e obrigada a usar isto”, e lembra de alongar senão dói o nervo ciático.


E saindo outro dia com uma amiga, vamos ao supermercado, vamos ficar sem beber? Vamos, que quero ir de carro, Deus escreve serto por linhas mortas, a gente para de se estragar por pura preguiça, para de beber, não pode mais comer, daqui a pouco faz um filho porque precisa ter um brinquedo novo pra passar o tempo, e assim fomos, com as comprinhas de supermercado na mão a visitar o amigo, torradas integrais com pasta temperada de soja, um queijo mais branco que Michael Jackson no fim da vida e suco de cranberry light,que é ótimo pra circulação, a amiga fala “nossa, estou super orgulhosa da gente”, e eu completo, “eu também tenho orgulho, um pouco de orgulho e pouco de preconceito”. 



E foi assim, no dia seguinte fui à academia sem ressaca, e bastou uma conta cuspida do computador para eu perceber como a minha mente prega peças, e enche tudo de florzinha e coração até hoje, sua retardada, a nova geração girl power não passa da velha girl in prison, a gente acreditando que não podia expor nada, elas achando que precisam. 



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terça-feira, 1 de julho de 2014

O retorno do retorno de Saturno



Fiz 32 anos há dois meses, mais ou menos. Não teve festa, não teve bolo, não teve foto no instagram. Fiquei na conchinha, debaixo do lençol, curtindo essa coisa de ser introvertida. Sou tímida aos 32 anos. Ou mais impaciente. E mais cansada, com certeza. Para não irritar os outros com uma falsa euforia, guardei-me para dias melhores... Ora, esses dias estão ótimos! Porque não se pode curtir uma introspecção de vez em quando, não é mesmo?

Acho que ando falando demais com gente nenhuma. E gente nenhuma é, na maioria das vezes, uma ótima companhia.

Eu estava sofrendo há um tempo atrás pelas pessoas do passado sumirem, e alguma coisa de fato aconteceu. Como as experiências compartilhadas diminuíram agora, parece que estou me aproximando das pessoas distantes. Gente que não vejo há quinze anos cruza comigo em alguma rua do facebook e daí descubro que a pessoa tem uma história parecida, com alguns pontos de intersecção com a minha.

Isso aconteceu há pouco tempo com uma amiga dos tempos da Escola Técnica, acho que ela fazia Metalurgia, eu fazia Eletrotécnica (isso eu tenho certeza, por mais estranho que pareça), a gente se cruzou na biblioteca. Hoje, ela é continuísta de cinema em Sampa, e eu aqui, também na área audiovisual, no Rio. E o que temos em comum? Tudo, gente!

Fomos pra uma salinha (inbox do face) e ficamos conversando durante algum tempo. Falei pra ela dessa agonia louca que sofri há alguns anos. Essa vontade de chutar o balde tão longe que não daria pra ver onde ele cairia. E ela me presenteou com a teoria do Retorno de Saturno.

Ela descobriu uma parada astrológica que afirma que, por volta dos seus 28 anos, Saturno retorna na sua vida (não sei explicar essas merdas, não sou astróloga, mas deu pra entender), fazendo com que a gente sinta essa vontade doida de refazer a vida, de pagar as contas, de limpar o passado pra começar uma nova fase. Confessei que senti isso muito ao pé da letra, inclusive entrando em contato com pessoas de um lodaçal amontoado no passado pra ver se estava tudo bem, dizer oi ou desculpa.

“É isso mesmo!”, dizia ela, na nossa salinha. “Eu também passei por isso. E olha, às vezes Saturno bate tão forte na gente que dá até uns revertérios no corpo!”, “Jura, eu também, desmaiei algumas vezes, nunca descobri o porquê, só descobri a chatice do colesterol alto”, (aliás, preciso falar pra vocês, parei de tomar aquele remédio xexelento, tava me dando taquicardia, decidi que colesterol alto é relativo), e então ela disse “eu também! Passei mal e desmaiei algumas vezes”, que coisa, tá vendo, essa coisa de mudar dá nessas coisas.

Fiquei tão entusiasmada que dividi a história do Saturno com um amigo professor que de vez em quando dana a ouvir minhas lamentações à toa. Com seus cabelos prateados, como sempre, ele destruiu em uma frase aquilo tudo, “como a gente se encanta com a explicação fácil, não é mesmo?”

Pronto. Meu Saturno caiu, mais ou menos, porque essa história tava muito.bem.explicadinha pra eu deixar ela morrer assim. Só deu uma desativada na euforia. Mas eu sei que Saturno me atazanou, gente! Porque não é normal que eu apagasse as 28 velinhas e do nada virasse um cão babando de raiva (a doença, no caso, e “metaforicamente”, odeio quando as pessoas escrevem “literalmente” sem saber que porra é essa, fico morrendo de raiva, o sentimento, nesse caso), portanto, um cão sarnento procurando uma parede pra coçar as costas, mas tinha que ser uma parede bem longe, e aí, o final da história aposto que vocês já sabem, Saturno te dá quatro anos pra resolver essa parada. Até o 32. Pontualmente.

Aí você nem apaga velinha mais. É um regozijo interior (por que ainda usamos essa palavra horrível?), é uma dávida saber que você sobreviveu. E venceu. E lavou toda a sua roupa suja astrológica. Pode voltar pra sua casinha, Saturno! Pra quem tá nessa fase, eu afirmo, paciência que uma hora Saturno retorna do retorno.

PS> será que é Marte que tá aqui em cima agora?

PS2> ah não. É o ovário ruim.




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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Das vidas que surgem e das que se vão

Terceira parte do plano que me surpreendeu: o foda-se. Há alguns anos uma grande amiga havia acabado de trocar de casca pela milésima vez, ia se mudar e começar uma nova vida. Nos encontramos na cidade onde nos conhecemos e onde, por sinal, fomos vizinhas, e depois ainda moramos um breve período juntas. Ela me disse, meio acabrunhada, que se sentia meio melancólica ao visitar os amigos, visto que a atenção já não era mais a mesma, nas palavras dela “as pessoas têm que seguir adiante com suas vidas. No princípio, quando deixamos nossa cidade, todos fazem festa quando visitamos, fazem questão de encontrar. E aí as pessoas se acostumam com a nossa ausência”, disse ela. Pensei, inocentemente, que talvez estivesse exagerando, que talvez os amigos de verdade verdadeira permaneciam com as pompas e todas as horas de encontros a que temos direito quando nos tornamos “carne fresca no pedaço”.

A última vez que fui à minha ex-cidade me provou que ela estava certa. Claro que os amigos de verdade verdadeira fazem de tudo para estarem com você. Mas já há uma certa calmaria no ar, sabendo que o mundo não vai acabar e que a Gol ainda vai colocar passagens em promoção sempre. Isso para os amigos realmente próximos, os “amigos de whatsapp”. Quanto aos outros amigos, os que são um pouquinho mais distantes, a coisa fica estranha mesmo. Como os interesses mudam e a vida segue em cidades diferentes, os papos também já lutam pra se encontrar em alguma intersecção. É mais um blablablá de como está a vida e como tem passado, seguido de algumas risadas patrocinadas de um outro tempo, e fim. Ali acaba, não precisa de mais de quinze minutos, partamos para a próxima.

Essa sensação estranha que de novo me perturbou, de não pertencimento, ou talvez agora de distanciamento realmente me mexeu em algum ponto aqui dentro. Será, será que é preciso mesmo alguns anos pra cair a ficha? Ou será que essa minha raiva que surge por mais que eu tente oprimir está no fato não de não conseguir acompanhar mais as vidas que seguem, mas as que surgem, mais especificamente a da minha sobrinha, cuja ausência me oprime quase diariamente, lembrando-me do fracasso que é não conseguir vê-la crescer em todos os segundos de sua primeira vida...

Fiquei introspectiva (coisa por demais bizarra para a minha personalidade). Uma vontade de ir à antiga cidade e não falar com ninguém. Já não tenho mais ânimo para as maratonas de encontrar pessoas 24 horas por dia, e a cidade em si sempre fica de lado, e eu dividida, no meio, sem saber pra onde ir, querendo tudo e todo mundo.  Quem sabe um dia consigo ir e apenas avisar blaseé e me deixar tropeçar em quem cruza meu caminho. Não são substituíveis, essas pessoas todas, daí talvez a tristeza incontrolável; mas parece que o ciclo já se fez, e paciência, por mais que doa é normal.

A melhor forma de explicar a sensação é imaginar que eu estou no meio de "De Volta pro Futuro" e de repente eu desisto de correr atrás das pessoas que começam a desaparecer da foto. Não tenho mais energia. Deixa sumir. Não que tenha quem colocar no lugar, aliás, acho cada vez mais difícil, para não dizer beirando o impossível, fazer amizades fortes depois dos 30 como se fazia aos 20, mas isso é papo pra outro post. Mas para ajudar nessa transição tenho que assumir que ultimamente tenho gostado bastante da minha companhia, minha cabeça já é bem confusa pra preencher algumas horas e, se chego sozinha em algum lugar, posso ficar lá confortavelmente observando com minha cerveja na mão. 

Então daonde veio essa melancolia com ar de dramalhão todo que não desse ovário feladaputa de novo, me deixa reagir como uma adolescente retardada que não sabe ainda distinguir depressão de hormônio? O ápice foi um dia em que estava na academia e de repente essa música pipoca no ipod, não passei, deixei essa angustiazinha tomar conta da cabeça, faz bem pras pernas isso, dá vontade de correr. Deixei e deixei e deixei tocar, repetindo a canção com uma sensação estranha de que a letra parecia um bonito recado, mas para quem? 

Tive que ouvir depois, acompanhada com uma versão dessas cachorras do You Tube que vêm com a letra e aí sim, ficou claro, garota burra, obviamente é um recado para você mesma.








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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Arte ostentação





Inventei de ir à exposição do Ron Mueck no MAM. Éééé, o Mueck, aquele das pessoas gigantes. Então. Não basta ter que enfrentar mais de uma hora na fila para ver uma exposição. Tem que aguentar as outras pessoas que vão na mesma exposição. Aquele monte de gente adulto velho criança carrinho de bebê tentando abrir espaço em meio à multidão de celulares e gente. Fiquei irritada. Odeio montes de gente.

Coloquei a culpa no FHC. Aaaaahhhh, a porra do real, do frango com iogurte. Chegamos na fase da arte, gente! A arte ostentação. Vejam só a minha tese e se não tenho uma pontinha de razão: Depois que a classe média brasileira começou a comer catupiry, ela acha que pode tudo. Porque pode mesmo! Você pode fazer tudo o que quiser, a única coisa que vai mudar é o número de parcelas do cartão de crédito.

Esse excesso de confiança na gente (nós, a classe média, perdão aí se você é “bem de vida”) fez com que uma mudança drástica acontecesse de uma geração pra outra. Veja bem: lembro que no tempo dos meus pais nem se COGITAVA coisas como férias no exterior ou pagar um milhão de pertrodólares para ir a um show. Se o show custava um milhão de pertrodólares, então não era pra mim. Ou, se eu era MEGA FÃ dos caras, se eram a banda que eu MAIS GOSTAVA NO MUNDO, aí a família fazia uma vaquinha pra que eu fosse. Assim era.

Hoje não. A coisa se inverteu de uma forma que se você NÃO FOR é meio embaraçoso. Como a gente pode sempre dividir no cartão, não existe mais dizer que “estou meio sem grana, não vai rolar”. Agora existe um “não gosto muito dessa banda”, e olhe lá. Você NÃO VAI AO SHOW DO RED HOT? VOCÊ NÃO VAI AO SHOW DA MADONNA? VOCÊ NÃO VAI À PEÇA DA MARIETA SEVERO?

Você tem que ir e tem que ter um smartphone também, para postar pelo um menos uma foto de que foi. Se você não provar ostentar que foi, é porque nem esteve lá. E não adianta querer tirar onda depois não.

Voltemos ao Ron Mueck - GENTE. Eu não conseguia chegar perto das obras. A coisa mais encantadora, que são as expressões, as cenas misteriosas que o cara consegue criar eram constantemente permeadas de gente entrando e ficando tempo demais DE COSTAS PARA AS OBRAS e tapando a minha visão. Para quê?

Para fazer a porra do #artselfieostentação, ué.

Gritei. Ô caralho, tem essas fotos todas na internet, gente! Não funcionou. É lógico. Tem todas as fotos do Ron Mueck, das obras do Ron Mueck, da mãe do Ron Mueck, mas quem é o Ron Mueck senão um ótimo cenógrafo que faz um belo fundo de foto para a minha cena onde em primeiro plano entra EU, o grande artista afinal de contas, não é mesmo?

Aí veio também arte selfie ostentação das madame. Um monte de madame fazendo fila para tirar foto do lado das grandes letras escritas na parede, “RON MUECK”. WTF???? Você está tirando fotos do lado do nome do ACLAMADÍSSIMO RON MUECK, aquele mesmo que até aparecer no Jornal Hoje ninguém tinha ideia de que cor era o nariz?
Aff....

Praguejei o nome das pessoas que deixaram fazer fotos. Detalhe: não podia tirar com flash.  Pobres coitados dos estudantes de arte que tentavam em vão explicar isso aos lobos famintos do instagram com seus corby a postos, atentos a qualquer facho de luz que fizesse a falta de resolução ficar levemente disfarçada.

Escorreu preconceito aqui, tá bom. Já disse um ator certa vez para mim, “se a Globo faz a fila de gente triplicar pra ver uma peça (ou, nesse caso, assistir a uma exposição), que seja”. Os fins, nesse caso específico, justificam os meios. Mas vou te dizer: onde arranjo a caralha da paciência pra aguentar até esse povo todo entender que é uma baita falta de educação você achar que pode ficar o tempo que quiser tentando fazer a melhor pose na frente de uma obra enquanto 1254851346554 pessoas estão atrás loucas pra olhar um pedacinho que seja da dita cuja? Porque, sinceramente, eu vi todas as peças assim. De pedacinho em pedacinho. Depois juntava na minha cabeça.

Voltei à exposição para levar meus pais. Claro, eles têm mais de 60 anos, nem por cima do meu cadáver eu enfrentaria aquela fila de novo. Papai me perguntou de onde o Mueck era (sim, a maldição das perguntas insanas permanece para todo o sempre amém) e eu disse “Acho que é sueco”, que bom que existe a expressão “acho que”, porque ela te permite colocar qualquer coisa do lado dela, até uma palavra como “sueco” no lugar de “australiano”.

Então gente, por pura rebeldia eu não fiz fotos.
Pelo menos não muitas.
Pelo menos não comigo na frente.

Serviço:
Vá lá e não tire tantas fotos! As obras são lindas também!
O MAM fica no aterro. Salte na Cinelândia e vá em direção ao aterro, atravesse na passarela que você estará na frente.
O valor é R$ 14,00 inteira, R$ 7,00 meia para estudantes e idosos.
Dá pra comprar pela internet com antecedência e a fila é MUITO menor.
Entra aqui e compra http://www.mamrio.com.br/
Se não der, compre um velho na fila. Senão você vai ficar mais de uma hora esperando.

Aproveita pra ver outras coisas! Na exposição “A inusitada coleção de Sylvio Perlstein” tem obras de Magritte, Dalí e Duchamp no mesmo prédio. E este é um segredo que apenas dez porcento de quem vai lá ostentar com o Mueck descobre, então aproveita a diquinha!

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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Roteiro de um dia no Rio: Morro do Leme + pôr-do-sol



Ainda estava no horário de verão quando gravei esse vídeo. Lua e Quito são os companheiros desse dia ressaqueado e confuso que vencemos fazendo uma coisa super saudável: subir o Morro do Leme (que fica lá no cantinho à esquerda de Copacabana, é só andar até o final MESMO) e depois apreciar esse programa tão querido dos cariocas que é ver o pôr-do-sol. E nós só não batemos palmas porque estávamos com uma cerveja na mão.

Importante saber:
*A vista é linda, a "trilha" realmente é só um caminho. Só imbecis ressaqueados como nós parariam no meio do caminho para pegar um ar. 

*Não esqueça o papelzinho escroto que eles chamam de ingresso. 

*Leve água em estado líquido.

*Para informações sobre o quadriciclo, visite esse site: http://www.rio.rj.gov.br/web/riotur/exibeconteudo?id=1182160

*Para informações mais próximas da realidade sobre o Cristo Redentor e sua criação acesse http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristo_Redentor


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terça-feira, 11 de março de 2014

Notas de uma velha babona


Sou tia. Uma tia velha e babona demais pra estar no mundo. Enquanto todos os meus amigos já têm sobrinhos completando lá seus dez anos, eu tô agora naquela fase ridícula de ficar estudando, de longe, as fotos, pra saber se a sobrancelha da pequenina parece com a minha. E posso te garantir uma coisa: não pa re ce por ra ne nhu ma.

O rosto é todo da mãe, mas o cabelinho grosso e preto demais entrega que essa vai ser uma devoradorazinha de tahine, é só esperar. Puxou ao pai também o gosto por comer e dormir, coisa que faz, basicamente, o dia inteiro. Tudo nessa vida de bebês é feito de clichês; eu a acho linda, apesar de ser só um bebezinho, e fico me perguntando se a bichinha realmente é bonitinha ou se algum traço genético me faz achar um joelhinho a coisa mais linda do mundo.

E aí vem os diálogos bizarros.

“Como está a vida de papai? –Não sei, ainda não tive a oportunidade de pegar minha filha no colo”.  

“Como é esperta! -Como assim? Porque está viva? Se isso é esperteza, eu sou o Einstein”.

“Você CHOROU, pai? Nunca te vi chorar! –“Chorei não. Só... me emocionei. É uma emoção muito grande”.

Chata. Agora que não estava mais sofrendo tanto tanto de saudade de tudo anterior, agora que meu coraçãozinho tinha enfim ganhado um relax da contração perdida de tantos rostos desaparecidos, agora volta essa angústia pra sempre de não estar lá. O que é quase um remédio, porque fico imaginando que ia agarrar a menina e não largar mais.

“Você foi hoje ver sua neta? –Não. Estou respeitando, é o primeiro dia deles em casa. Vou amanhã”. (tipo muito esforço)

Eu lembro como é essa sensação. Foi assim quando o meu gato foi lá pra casa. Eu trabalhava rapidinho pra voltar e ficar com ele. Imagina um ser humano? Um ser humaninho que abre os olhos, come, dorme, tão esperto esse serzinho, ai meu Deus, eu não sairia de perto. É bom mesmo esse ser humano ter alguns dias a mais na Terra quando eu for encontrar com ele, pro bem dela, é preciso que esse ossos estejam mais fortes para aguentar o tranco.

Os hormônios das mulheres são realmente coisas catastróficas. Estou chegando à conclusão que, depois que essa merda toda é jogada no ventilador, lá pros quinze anos de idade, depois disso a gente não tem mais personalidade, a gente tem hormônio. O que estiver dominando é o que vai ditar o que você é hoje.

É tão assim que meu amigo de trabalho, com quem eu trabalhava todo santo dia colada, sabia mais do que eu das minhas fases ovulares. Um dia ele disse que eu tenho um ovário demoníaco (o que me faz gritar) e um bom (o que me faz chorar copiosamente por qualquer coisa, ou seja, bom pra ele, que não tinha que aguentar minhas ebulições e ainda fingir que não sabia que se tratava de uma questão ovariana e não de caráter mesmo).

Isso é só o básico de uma vez por mês. Porque, minha filha, depois dos trinta anos a gente fica re-tar-da-da. Digo, no sentido do tema de hoje, quando vemos uma criança a gente para tudo, para o que está fazendo e faz aquela cara de cachorro pro ser.

Eu estou assim há algum tempo e não desperdiço nenhuma oportunidade de catar crianças alheias caso os pais consintam. Já passei vergonha, é bem verdade. Amigos já me apelidaram carinhosamente de “Nazaré”. Em outra ocasião peguei uma criança emprestada numa festa e não devolvi mais enquanto o pai não veio pedir. E não é que o fdp veio mesmo pedir? “Posso ficar um pouquinho com ela agora? Estou com saudade”, foi o que ele me disse. “Tudo bem, fique um pouquinho e depois devolva”, foi o que respondi.

Ontem recebi uma foto com a minha sobrinha vestida com a roupinha de personagem do Super Mário que comprei pra ela assim que fiquei sabendo da gravidez. Tem noção da minha reação quando vi a foto? AAAAAAAHHHHH! Re-tar-da-da. E as fotos que recebo dos avôs com ela? Uma criança toda empetecada no colo de um adulto com um ar esmorecido, uma cara de quem acabou de tomar Valium. É assim mesmo?

Fora a quantidade exorbitante de roupas, acessórios, sapatinhos que andam fazendo para a pobre da menina. Penso em quantas vezes os pais têm que trocar para dar tempo de ela usar tudo nessa vida. Deve ser cansativo... Bota roupa, tira foto, envia para quem deu a roupa, muda de roupa, tira foto, ad infinitum... ai, que legal!


Ser tia é achar que é mãe sem ter que passar o café.



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