sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

#Rioaos30FDS: Parque Lage


Uma das coisas que se deve fazer quando você pira é “se encontrar com a natureza”. Como eu já disse por aqui, estou em busca da cura para o Síndrome do Pânico, doença que está me impedindo de beber sempre que quero no momento. E me fazendo encontrar com a natureza.

Então estou aproveitando o ensejo para conhecer alguns dos lugares mais lindos do Rio de Janeiro: os parques. A cidade é repleta de florestinhas lindas com casarões e obras de arte e afins.  Eu amo florestinhas! Para os dias que você estiver num Rio nublado, elas são opções que não ficam em NADA atrás das famosas praias.

O primeiro lugar que me tirou o fôlego foi o Parque Lage. Margeando uma avenida do Jardim Botânico, seu muro antigo sempre me chamou a atenção, criando uma curiosidade para saber direito o que tinha atrás dele, não por conta da sua altura, baixa, por sinal, mas porque árvores grandiosas exercem o papel de guardiãs dos segredos dali. Estou falando a verdade, quando você entrar lá vai ver também.

                         foto retirada de oglobo.com


São trilhas e mais trilhas, ainda não consegui fazer todas, mesmo já tendo visitado algumas vezes. Algumas árvores têm raizes tão grandes que formam poltronas pra você sentar e ler um pouco à sombra. Eu fiz isso, e olhei pra cima, e vi o sol. E folhas que caíam, samborilando no zunido suave do vento. E olhei pro lado, e tinha uma menina fazendo pose para tirar foto do lado de um lago e voltei os olhos pro meu livro.


E de repente, andando por aí, você se depara com alguma construção. Umas são tímidas, como o antigo aqueduto, mais parece que a natureza foi tomando forma daquilo ali. Outras, grandiosas, fazem a gente até perdoar os portugueses pela bobajada que rolou por essas terras, aquele povo, afinal, tinha lá bom gosto. Dentro do casarão há um café muito bonito, que bom que é bonito, está sempre tão cheio que é impossível sentar, daí você cai numa outra tradição, o velho e bom piquenique, vale a pena, volte para a florestinha que alguma árvore vai gostar de ouvir suas fofocas e esticará os galhos pra você estender uma toalhinha xadrez de vermelho por ali.

Alguns lugares guardam exposições também. O Parque Lage é sede da EAV – Escola de Artes Visuais, e portanto também um centro com coisinhas interessantes para fazer nosso cérebro brilhar.

Fui lá para ler. Para convencer meu namorado de ir comigo, falei que podíamos ir de carro, no ar condicionado. E depois de meia hora de leitura, no auge da bênção lá das folhinhas, ele me perguntou “se demorava muito ainda pra gente ir embora”. Tava quente aquele dia. Resolvi que estava bom por ali, poderia ficar a tarde inteira, mas pelo visto ele não. Tudo bem. Eu já sabia o que havia por detrás daquele muro e sempre posso voltar.


Serviço:

Parque Lage
R. Jardim Botânico, 414 - Jardim Botânico, Rio de Janeiro - RJ, 22461-000
(21) 3257-1800

De bus: pegue o 409, passa em quase o Rio de janeiro inteiro e p



ara exatamente na frente do parque

Entrada de graça. Tem estacionamento no lugar com um preço até barato para os padrões do Rio, mas sempre tem fila pra entrar, pelo menos no fim de semana 

Tem mais coisa aqui:

E aqui:


 

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

#Universo30#1: A Esquizofrenia


Esse blog tá ficando esquizofrênico. Em 2013 era mudança e as formigas que o universo traz pra quem se atreve a fazer 30 anos começar a se coçar. Em 2014 era a descoberta. Os lugares, as coisas que me enchiam os olhos em uma terra que começava a ser minha. Em 2015... loucura.

Dois anos, dois tipos de gente que continuam a me deixar extremamente honrada ainda lendo esses rascunhos tortos: um povo que quer ler por se identificar, por rir ou por chorar, e outro que quer conhecer a cidade desse jeito aqui.

Decidi que em 2015 escreverei dois tipos de textos, sobre o universo dos 30 anos, para quem se identifica, e sobre as histórias dos locais que vou conhecendo, assim você pode se animar e pegar alguma dica pra fazer seu fim de semana ficar mais legal, ou então se apropriar da história e nunca ter que ir no tal lugar, coisa boa são as leituras, e os vídeos, que fazem a gente muitas vezes sentir que já esteve lá ou nem perder tempo com isso.

Acho que assim fica mais organizado. E vocês aí não têm mais que se esbarrar, nem ficar lendo coisa que não querem.

Agora a missão é botar em prática a lógica, a frequência, a eloquência. Nunca consegui.



Mas pelo menos hoje é segunda-feira. 


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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Rio aos 30 Crazy Edition


Estou com Síndrome do Pânico. Uhum, tomando remédio controlado, indo no psiquiatra, fazendo ioga e tentando, pelo menos, não beber. Você também? Ah, conhece alguém que já passou por isso? É assim mesmo, é só o primeiro doido levantar a mão que chove maluco em volta. Ah, não? Isso é coisa que nunca vai acontecer com você, certo? Bem, boa sorte aí com a sua normalidade, saiba que eu pensava exatamente desse jeito até... acontecer comigo.


E foi assim, bem clichê. No último de uma campanha política na qual eu estava trabalhando, no ano passado, acho que aconteceu esse dia só pra ficar mais fácil de explicar mesmo, eu não colocaria a culpa nisso, ou pelo menos não só nisso. Fato é que era o último dia e saímos todos para beber a cerveja do dever cumprido (óbvio que eu já estava com uma ressaca monstra de uma festinha de fim de trampo que tinha rolado no dia anterior...). Eu estava indo pro bar no carro de um colega de trabalho, de repente começou: uma onda de adrenalina forte demais pra ser legal, vocês sabem, adrenalina na verdade é o corpo dizendo que vai morrer, ou tentando fazer essa experiência ficar menos ruinzinha, eufemista que é até na hora da morte, pois bem, uma onda gigante de adrenalina, não o tsunami de quando saltei de paraquedas e meu cérebro pensou que eu pudesse voar, foi o tsunami de quando saltei de bungee jump e minha cabeça tinha certeza que eu ia morrer. Tipo o sushiman que erra um pouquito na dose do baiacu, sabe? Síndrome do Pânico é isso: não achar, e sim ter certeza que tá na sua hora de dar uma morridinha. Mas enfim, eu nunca experimentei sushi de baiacu e você deve ter uma noção de como eu tava assustada.

Depois veio um vácuo. Um vazio sinistro, como se todo o meu corpo tivesse sido drenado de adrenalina e só restassem as gosmas da depressão. Depois, adrenalina de novo. E gosma da depressão. E assim foi, comigo ridícula no carro já com as pernas pra cima, fazendo uma “manobra de sobrevivência” enquanto meu colega me perguntava assustado se eu estava bem, e eu tentando não dizer pra ele que sabia que ia morrer pra ele não ficar muito sobressaltado, “imagina, é só que tenho um defeitinho no coração e tenho a REAL impressão de que ele vai parar AGORA, já desmaiei algumas vezes, se isso acontecer de novo você já tá sabendo, pode ser só pressão baixa também”, e ele pisando cada vez mais fundo no acelerador, desesperado e também tentando disfarçar, e perguntando a cada cinco minutos como eu me sentia, acho que só pra saber se eu ainda não tinha desmaiado.

Prolapso da válvula mitral, ninguém morre disso apesar do nome orrywell. Defeitinho bobo no coração, você também deve ter, mas ninguém morre disso, fica tranquilo, só tem que tomar antibiótico antes de ir pro dentista, senão uma bactéria mortal entra pelo seu dente e vai direto pro seu coração e aí sim, você morre, e em bem pouco tempo, já detonou um atleta do basquete fortão em dois dias, isso tudo quem me contou foi o meu cardiologista, maluco, isso é coisa que se diga?, devia ir no psiquiatra também.

Enfim, chegamos ao bar e EU NÃO MORRI!, apesar de toda a expectativa. Liguei pra minha irmã, coitada, é sempre ela a me salvar, foi me buscar e eu toda guenza, “Você não tá bem”, “Tô mais ou menos”, “Tá sentindo o quê?”, “Tô sentindo certeza absoluta que vou morrer”. Ora, lá foi ela, com toda a sua experiência, ficou conversando comigo, catando detalhes e prontamente saiu com um diagnóstico, e a receita, e o remedinho também, minha irmã é muito eficiente para essas coisas. “Toma aqui, bota meio Rivotril embaixo da língua que vai passar” , “TÁ MALUUUUCAAAAA? SE EU TOMAR RIVOTRIL EU VOU MORRRREEEERRRR”, “Vai nada, isso é dose pra criança”, “Vou sim, vou sim, tira isso de mim”, “Helena, sabe o motivo desse ser um dos remédios mais tomados no mundo todo? É que não dá pra morrer dessa porra, não existe overdose de Rivotril”, “Tá bom, só meiota então”, “Pronto, daqui a cinco minutos mais ou menos você vai parar de ter certeza que vai morrer”.

E assim foi. Como eu já disse minha irmã é joia pra essas coisas. A outra parte eu conto depois pra você, que esse papo de doença enche a cabeça de qualquer um, mas posso te adiantar que fui a um psiquiatra de verdade e ele me diagnosticou também. Aí caiu a ficha. É isso. Tarja preta. Credo. Isso não é o tipo de coisa que acontece comigo. 

Mas quer saber? Pode ser que quem pira não é exatamente quem não aguentou o tranco. Quem sabe se quem pira é quem tenta se superar demais? Não é pra me livrar da estranheza que a caduquice traz não. Mas eu sempre tive uma certa empatia com pais que deixam crianças enfiarem o dedo na tomada. Malvadona, eu sei. Mas é quase o contrário... e eu estou tendo cada vez mais certeza que eu sou a criança que sempre enfia a porra do dedo na tomada, e antes de todo mundo ainda por cima. Pra nego ver que a gente sobrevive, e eu sei de um segredo antes de todo mundo, mesmo que às vezes o segredo seja um choque. 

Ou então a crise é o corpo falando “paraê, cacete, dá um tempo” e isso é coisa de gente normal, porque gente anormal o corpo simplesmente não avisa e dá ruim.

De fato, isso aconteceu há três meses e já deu tempo pra eu dar uma digeridinha no assunto, claro, eu que não ia escrever pra você loucona de remédio e cheia de dor de cabeça. (É, tarja preta dá dor de cabeça no início. Em mim dava dor no tubo neural. Só sei explicar assim). Então, o que me explicaram de cara é que o tratamento consistia em remédio, terapia e a parte haribol, ir pra natureza, fazer ioga, essas coisas. Tô fazendo, em maior ou menor grau. Já passei por algumas fases, mas aff!, não vou te encher mais com esse papo hoje que é sexta feira e só sinto inveja de você que vai tomar uma cerveja nesse calor infernal. O que posso te adiantar é que apesar de putona com todo o processo, aprendi que o ângulo que se olha pode mudar tudo. E quem sabe doença não seja exatamente a melhor palavra para o que se alastrou em mim. Agora me parece mais é que há três meses eu comecei um profundo processo de cura.

Sabe-se lá do quê.


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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Lista de Ano Novo



Todo início de ano eu não resisto e caio numa armadilha de autoajuda pra dizer que a vida é nova. Trata-se de uma pequena lista, ao menos a ideia é que seja pequena, de três coisas no máximo, para que só as grandes permaneçam, três grandes coisas que você quer realizar no ano que vem e três que você fez no último, isso para te dar o fôlego de pensar grande, já que conseguiu então fazer tais coisas no passado pode também sonhar algo à altura para o futuro.

Este ano não foi diferente e pus-me a pensar no que gostaria para o próximo ano. 

Vazio. 

Como se me sentisse tão realizada com tudo que já está acontecendo que não houvesse nada com o qual sonhar, mentira cabeluda essa. Pensei mais e de novo caí no vazio, como pode coisa dessas, vou começar com “emagrecer” que não tem erro, é o que encabeça a lista há pelo menos cinco anos.

Travei.

Melhor pensar no que realizei em 2014, assim as coisas correm, como já expliquei basta lembrarmos de quanto somos maravilhosos para sonhar com maravilhas.

Para minha total incredulidade esta lista também não saiu. Vamos lá, pense, pense, peeeeeeeeeennnnnsssseeeeeeeeeeee

e me vem então, claro!, as viagens que realizei, Chapada Diamantina, uma road trip fantástica, vi a cachoeira mais bonita da minha vida, chama-se “Buracão”, você tem que ir lá, foi o Spielberg quem fez, tô te dizendo, ele veio ao Brasil, aos rincões da Bahia para isso e se saiu muito, muito bem.

E depois o Chile, e subi um vulcão que depois vim a saber que estava ativo, bem ativo por sinal, dois sinais pra ser mais exata, é assim que um dos três corpos de bombeiros da cidadezinha avisa que o sinal já não é mais verde, de vulcão tranquilão, mas amarelo, de vulcão espreguiçando. E vi a neve pela primeira vez, e brinquei com ela, arrá, vamos lá, essa lista que nada tinha começa a dar ares de especial.

Então:

1) Conheci a cachoeira mais bonita
2) Brinquei na neve

E aí fica faltando só uma, mas de qualquer forma me parece tudo muito estranho, meio hipócrita, que realização foi essa afinal, a neve sempre esteve lá, assim como a cachoeira, a única coisa que fiz foi comprar uma passagem, quiçá dirigir um bom bocado, e nadar, nada mais, mas o que é isso, pra se comprar passagem precisa de dinheiro, a cara do sucesso, você conseguiu dinheiro pra isso, sim, mas não era uma meta, assim, só depois que cheguei lá é que vi que a cachoeira era a mais bonita, e que no vulcão tinha neve, façamos o seguinte então, transformemos os dois pontos em apenas um para que a coisa fique justa.

Ah, sim! Abri uma empresa!

Portanto: 1) Conheci a cachoeira mais bonita AND brinquei na neve; e 2) abri uma empresa. 

Só falta um.

Se bem que sejamos justos, não fosse a encheção de saco do meu namorado eu jamais teria levantado as perninhas pra começar esse CNPJ. Tá, mas você aceitou, e você é taurina, morre de medo dessas coisas, vale um ponto inteiro sim e a lista se mantém, senão jamais terminaremos essa bagaça antes de começarem a pocar os fogos de 2016.

3) Comecei a tomar tarja preta

Ah é, isso não é bom, nem era uma meta também, se bem que tem lá o seu glamour, noooossssa, trabalhei tanto que entrei no tarja preta, mas nós dois sabemos que isso é uma mentira também, nunca adoeci de trabalho, não foi agora, ainda não sei porque foi, o cretino do psiquiatra não me responde, aposto que ele já descobriu e não me conta pra continuar tirando meu dinheiro toda semana, vou falar pra ele ir gastar lá naquela cachoeira da Chapada que pelo menos me sinto sócia de algo que realmente gosto.

Voltando à lista, isso não é bom, se você colocou isso na lista é porque passou o efeito do último que tomou, inventa algo mais bacana.

3) Emagreci

Fato. Emagreci mesmo. Mas foi por causa do tarja preta e não de alguma coisa mais bacana, tipo suor e dedicação. E depois que descobri que não morre se beber álcool tomando tarja preta engordei tudo de novo e meu sonho de sair nas fotos do Ano Novo sem parecer a irmã gêmea do Mocotó no tempo que era DJ foi por água abaixo. Então tá.

3) Descobri que não morre se tomar álcool com tarja preta

Essa é boa. Mas se tem a maior ressaca do mundo, vou te dizer. Não tente fazer isso. Sério.

Beleza, fechamos por aqui, só falta fazer a lista de 2015 agora. E depois do “emagrecer” foram vomitados mais 10 pontinhos de coisas a se realizar, depois lembrei de mais um, esqueci agora, mas tem outro, que pode ser “parar de tomar álcool com tarja preta”, isso, meleca, já tem doze. Os outros não vou contar, ora, isso é coisa que se pergunte? Desejo é que nem dente de leão, se você joga no vento, esvanece, meu filho.

                 *********

Pensei no que eu queria alcançar para 2014, será que consegui realizar aquilo que escrevi no Ano Novo velho? Não sei. Não lembro mais e não faço ideia de onde foi parar o papel.


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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Degraus dalguma loucura



Como fazer pra calar esse leão que acordou dentro de mim? Se antes eu não tinha nenhuma energia pra fazer o que eu precisava, agora é como se um nódulo de força me impulsionasse pra frente, mais e mais, sem se importar com o que meu corpo sente. Sabe, quando você está cansado, e alguém resolve “te ajudar”, te empurrando pra cima de uma escada, e a tarefa fica ainda mais difícil, porque é o seu tempo em cada degrau que está sendo ignorado.

Choro besta, sem saber o porquê. Choro porque sei que a única resposta está na minha cabeça, que está compeltamente pifada. Choro porque sei que a única pessoa que pode despifar minha cabeça sou eu. Mas tenho tanta coisa pra fazer antes, mas sem a cabeça não consigo fazer.

Sorte do leão. Do nódulo. Sei lá.

Por que de repente todo mundo começou a perguntar a minha opinião, o que eu acho agora conta pra tudo, ah, responde o leão, você sabe que não é porque de fato é importante, você sabe que é porque se der merda foi você.

Não me prepararam pra decidir.

Não me disseram que a gente não tem escolha, que a gente vai afunilando, só me disseram que quem planta colhe, mas não me disseram que colher é isso, você precisa tomar uma decisão a cada broto, será que já está maduro o bastante, não é melhor pegar mais uma ou duas chuvinhas, não, precisam desse broto agora, então tá, tá bom pra você?, não, o broto podia ficar melhor se tivesse mais uma ou duas chuvinhas. Ou não. Talvez seja só minha inexperiência com os primeiros brotos, não sei ainda se vão sim ficar melhores ou se vão murchar ou se vão ficar exatamente a mesma merda e eu é que sou crítica demais.

Mas você tem que falar, não tem saída, tem que falar, é seu exercício, é seu carma, não gostei desse broto, pronto, falei. Tá, o que temos que fazer então? Porra, um exercício já cai no outro, dou a mão e me querem o braço inteiro, e só fortalece meu nódulo, leão, desculpa, que nódulo pode ser maligno, e leão a gente mata, um por dia, dizem por aí, por enquanto então é um nódulo, que cresce e cresce num corpo cansado, não, nunca pensando assim,  visualize um leão, visualizou? Agora mata essa porra.

Estou fatigada da plantação. Não consigo comemorar a colheita. Juro que em algum momento me disseram que colheita era a hora que você via o fruto vir a você, ninguém me disse que colheita era acordar cinco horas da manhã com uma cesta gigante e passar o dia debaixo do sol catando os frutos.

Ninguém me disse que também só tem colheita se colher.

Benção ou maldição? É algo que me pergunto cotidianamente, desde que resolvi mudar minha vida. Benção, é sempre a resposta, benção. 

Quando quase caio na maldição o universo  me diz que eu estou errada, abre o olho garota, sua ingrata. Toma aí, no meio de um livro velho, de um amigo velho, ou da vida velha, olha aí o seu contracheque. Tá pior agora? Não. Então, minha filha, é benção.

Vai pra academia, você precisa trabalhar. O leão você não aprendeu ainda a administrar, então vai fortalecer esses músculos porque a escada é grande. Grande não, não é essa a palavra. A escada é muito maior do que você imaginou, só isso.

Então é maldição!

Não. É benção. Que é maior porque você mereceu mais degraus. 

Raiva do leão. Ódio desse jumento desse leão. Faz elogiozinho pra diminuir a fadiga que ele mesmo provoca. 

Tá com raivinha? Então não faço mais elogio. Quer saber a verdade?

A essa altura você já devia perceber, garota. A escada, pra alguns, não tem fim.     






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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Orgulho e Preconceito



Entrei numa academia bonita.

Achei tudo super legal. Os professores de fato olham pro que a gente está fazendo e se preocupam com coisas como a nossa posição nos aparelhos. “Sua coluna está torta”, “obrigada, você reparou?, mas infelizmente ela É torta, por mais que eu me esforce, mas obrigada mesmo pela preocupação”, e tem uma série para a gente que sai cuspida de um computador, como se fosse uma conta, não deixa de ser, você que achou que aqueles quinze aninhos de cervejada não cobrariam por um preço alto depois.

E as meninas?

Achei a coisa mais lindinha as novas meninas de academia. A geração de vinte anos parece que saiu direto dos anos 80 pra malhação, com direito a Chiclete com Banana na lambaeróbica, não, quê isso sua velha, isso lá é coisa que se fala, bom mesmo é ouvir Tomate dançando Zumba, fazer esse tipo de comparação engraçadinha é coisa de quê, de gente velha, velha e amarga, que acha que sabe como são as coisas só porque já viveu exatamente aquilo. 

Lembro que na minha geração roupa de ginástica era roupa velha. A gente até gostava de ganhar camisa promocional, de evento, abadá, para poder cortar as mangas depois e ir malhar. Tinha até umas modas bizarras, a malha que era cortada dos peitos para baixo em tirinhas pra ficar style, ô Senhor, quando eu preciso lembrar o que vim comprar no supermercado não lembro por nada, mas essa imagem, que não serve pra absolutamente nada, por mais que eu me esforce para apagar e aqui ela está, e outro dia fui a uma loja de departamento, e pasmem, essas coisas estão sendo vendidas por dezenas de reais.


Enfim. As camisas a gente já pedia tamanho GGGGGG, que era pra tapar a bunda quando colocasse a bermuda de lycra neon, coisa ridícula. Como a gente era boba e avergonhada, hoje as meninas vão com calças psicodélicas bem justas, e ninguém se importa de deixar todas as partes à mostra, afinal o povo malha pra quê, não é mesmo? Pra usar calças psicodélicas neon e tênis multicoloridos neon e rabo de cavalo de lado igual Madonna naquele filme lá que ela era uma menina super levada e que não passa mais na sessão da tarde senão o povo vai descobrir que a moda vai e volta só pra dar tempo de você jogar fora e ter que comprar de novo. E miniblusas, isso voltou também, miniblusas não, cropped, cropped de malha escrito Girl Power.




A gente, que não gastava dinheiro nenhum por roupa de academia, até porque não tinha muito e a preferência era separar essa grana pra gastar em cerveja e cigarro e passagem de ônibus e cachorro quente, e hoje a gente acha normal desfilar em roupas de academia de marca, a gente menos eu, que ainda prefiro comprar camisas da Citycol que tapem meu quadril gigante e me deixem em paz quando tenho que fazer aquelas posições mefistofélicas das caneleiras, chafurdando num colchonete com cheiro de álcool e poeira do chão, aff como eu odeio esse negócio, se gostasse não ia pra academia, vou pra lá porque posso fazer essas coisas em aparelhos que diminuem minha fadiga em ter que puxar ferros sem ter nem pra quê, em aparelhos da minha altura e não no chão, chafurdando.

Apesar disso tudo minha admiração continua, eu correndinho na esteira no compasso do velho com meu Thriller a tocar, ver a desenvoltura dessas meninas é algo espetacular, no meu tempo a gente acreditava que ia ser estuprada se se fantasiasse assim e saísse pela rua, éramos tão medrosas, capaz de acreditarmos que a culpa ainda era nossa, quando o quê, é só o corpo humano, e os homens têm que aprender a não agir como animais, culpa nossa é o car**** seu imbecil acerebrado, eu tenho que ter o direito de usar o que quiser e essa geração iluminada está gritando isso, Girl Girl Girl Power!!!! Who run the world motherfucker???? #loveUBey.


E percebi que as meninas de hoje não só levantam a bandeira como gostam desse negócio, e das roupas super legais, dos tênis grandes e dos celulares, e sem nenhuma vergonha de mostrar o bumbum nas calças metálicas, as mais discretas usam calças brancas, BRANCAS, gente, no meu tempo isso nem sequer era fabricado, aí comecei a reparar numa coisa, que numa academia não tem mesmo muita coisa pra fazer a não ser tentar respirar e observar o resto, elas dão valor para que o bumbum fique perfeitinho, redondinho, sem marca da calcinha, e pra isso elas usam aquelas calcinhas, AQUELAS, que você se dispõe a usar por vinte segundos (entre o banheiro e o quarto), de dois em dois anos, pra mostrar pro seu namorado que afinal você também se esforça pra manter a relação, então, fio dental pra malhar, socorro Senhor, onde vamos parar, se na areia já não faz o menor sentido pra mim quiçá nesse lugar, nem pensar que um dia entro nessa, grazadeus que sou da geração que pode estufar o peito e dizer, “tem duas coisas nesse mundo que nunca vou ser, malhada de albumina e obrigada a usar isto”, e lembra de alongar senão dói o nervo ciático.


E saindo outro dia com uma amiga, vamos ao supermercado, vamos ficar sem beber? Vamos, que quero ir de carro, Deus escreve serto por linhas mortas, a gente para de se estragar por pura preguiça, para de beber, não pode mais comer, daqui a pouco faz um filho porque precisa ter um brinquedo novo pra passar o tempo, e assim fomos, com as comprinhas de supermercado na mão a visitar o amigo, torradas integrais com pasta temperada de soja, um queijo mais branco que Michael Jackson no fim da vida e suco de cranberry light,que é ótimo pra circulação, a amiga fala “nossa, estou super orgulhosa da gente”, e eu completo, “eu também tenho orgulho, um pouco de orgulho e pouco de preconceito”. 



E foi assim, no dia seguinte fui à academia sem ressaca, e bastou uma conta cuspida do computador para eu perceber como a minha mente prega peças, e enche tudo de florzinha e coração até hoje, sua retardada, a nova geração girl power não passa da velha girl in prison, a gente acreditando que não podia expor nada, elas achando que precisam. 



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terça-feira, 1 de julho de 2014

O retorno do retorno de Saturno



Fiz 32 anos há dois meses, mais ou menos. Não teve festa, não teve bolo, não teve foto no instagram. Fiquei na conchinha, debaixo do lençol, curtindo essa coisa de ser introvertida. Sou tímida aos 32 anos. Ou mais impaciente. E mais cansada, com certeza. Para não irritar os outros com uma falsa euforia, guardei-me para dias melhores... Ora, esses dias estão ótimos! Porque não se pode curtir uma introspecção de vez em quando, não é mesmo?

Acho que ando falando demais com gente nenhuma. E gente nenhuma é, na maioria das vezes, uma ótima companhia.

Eu estava sofrendo há um tempo atrás pelas pessoas do passado sumirem, e alguma coisa de fato aconteceu. Como as experiências compartilhadas diminuíram agora, parece que estou me aproximando das pessoas distantes. Gente que não vejo há quinze anos cruza comigo em alguma rua do facebook e daí descubro que a pessoa tem uma história parecida, com alguns pontos de intersecção com a minha.

Isso aconteceu há pouco tempo com uma amiga dos tempos da Escola Técnica, acho que ela fazia Metalurgia, eu fazia Eletrotécnica (isso eu tenho certeza, por mais estranho que pareça), a gente se cruzou na biblioteca. Hoje, ela é continuísta de cinema em Sampa, e eu aqui, também na área audiovisual, no Rio. E o que temos em comum? Tudo, gente!

Fomos pra uma salinha (inbox do face) e ficamos conversando durante algum tempo. Falei pra ela dessa agonia louca que sofri há alguns anos. Essa vontade de chutar o balde tão longe que não daria pra ver onde ele cairia. E ela me presenteou com a teoria do Retorno de Saturno.

Ela descobriu uma parada astrológica que afirma que, por volta dos seus 28 anos, Saturno retorna na sua vida (não sei explicar essas merdas, não sou astróloga, mas deu pra entender), fazendo com que a gente sinta essa vontade doida de refazer a vida, de pagar as contas, de limpar o passado pra começar uma nova fase. Confessei que senti isso muito ao pé da letra, inclusive entrando em contato com pessoas de um lodaçal amontoado no passado pra ver se estava tudo bem, dizer oi ou desculpa.

“É isso mesmo!”, dizia ela, na nossa salinha. “Eu também passei por isso. E olha, às vezes Saturno bate tão forte na gente que dá até uns revertérios no corpo!”, “Jura, eu também, desmaiei algumas vezes, nunca descobri o porquê, só descobri a chatice do colesterol alto”, (aliás, preciso falar pra vocês, parei de tomar aquele remédio xexelento, tava me dando taquicardia, decidi que colesterol alto é relativo), e então ela disse “eu também! Passei mal e desmaiei algumas vezes”, que coisa, tá vendo, essa coisa de mudar dá nessas coisas.

Fiquei tão entusiasmada que dividi a história do Saturno com um amigo professor que de vez em quando dana a ouvir minhas lamentações à toa. Com seus cabelos prateados, como sempre, ele destruiu em uma frase aquilo tudo, “como a gente se encanta com a explicação fácil, não é mesmo?”

Pronto. Meu Saturno caiu, mais ou menos, porque essa história tava muito.bem.explicadinha pra eu deixar ela morrer assim. Só deu uma desativada na euforia. Mas eu sei que Saturno me atazanou, gente! Porque não é normal que eu apagasse as 28 velinhas e do nada virasse um cão babando de raiva (a doença, no caso, e “metaforicamente”, odeio quando as pessoas escrevem “literalmente” sem saber que porra é essa, fico morrendo de raiva, o sentimento, nesse caso), portanto, um cão sarnento procurando uma parede pra coçar as costas, mas tinha que ser uma parede bem longe, e aí, o final da história aposto que vocês já sabem, Saturno te dá quatro anos pra resolver essa parada. Até o 32. Pontualmente.

Aí você nem apaga velinha mais. É um regozijo interior (por que ainda usamos essa palavra horrível?), é uma dávida saber que você sobreviveu. E venceu. E lavou toda a sua roupa suja astrológica. Pode voltar pra sua casinha, Saturno! Pra quem tá nessa fase, eu afirmo, paciência que uma hora Saturno retorna do retorno.

PS> será que é Marte que tá aqui em cima agora?

PS2> ah não. É o ovário ruim.




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