segunda-feira, 9 de março de 2015

#universo30: Poesia Tarja Preta

                            retirado de anundis.com


Sempre vai
Sempre volta

Sempre cai
Nunca cura
Sempre horas
Nunca vida
Sempre tóxico
       da ressaca       
Simples sol
       Sê saudade      
Sempre sopro
Mas nunca nunca
Sempre scissors
Dos passajes
Se mon pair
Sacanagem
       Nunca vil      
Deja vus
Sabe nada
        Dá-me-las        

As flores que não vi já estão mortas

Em honra do que vivi.








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domingo, 8 de março de 2015

#rioaos30FDS: Paquetá

Sempre quis conhecer Paquetá, certeza que por causa da marca de sapato. Se algum lugar vira marca me dá uma coisa que eu tenho que ir lá. Tipo, fui pra Canoa Quebrada e nem é tão legal assim, mas eu tinha que ir por causa do raio daquele estojo. Mas vamos falar de Paquetá, que é mais pertinho.

Esta é uma ilha que fica a mais ou menos uma hora de barco do Rio. Num dia meio nhé, nublado e tal, é uma ótima opção. Não é uma ilha paradisíaca com águas cristalinas, não vá esperando por isso, daí que é melhor guardar aquele dia que você já encheu o saco de praia pra ir até lá. 

Sei que tava um dia nublado e meu querido amigo Alexandre topou fazer essa parada comigo. Acho que vale a pena. Rende boas fotos e um dia, no mínimo, diferente. Segue um "foto roteiro" pra vocês:

Pra ir pra Paquetá você deve chegar na Praça XV (estação Carioca do metrô, segue em direção ao Paço Imperial que você acha, já sabe, o Google Maps é nosso amigo). Lá tem uma divisão, do lado direito você vai pra Niterói, do esquerdo, bem menor e humilde, para a ilha. Sempre tem muitos velhinhos indo pra lá. 


Qualquer dúvida também, tem escrito em cima, em letras garrafais. Daí basta comprar um bilhete (R$ 10,00 ida e volta) e esperar sua barca sair. Sugiro entrar nesse site aqui: http://www.grupoccr.com.br/barcas/estacoes/paqueta?id=3
para saber o horário da próxima barca.



A barca é meio velha e lenta, mas você é turista e o passeio deve agradar. E é sempre legal passar por debaixo da ponte Rio x Niterói! 


Chegando perto já dá pra sentir o clima da vila bucólica.


E uma coisa fantástica sobre Paquetá é que lá não entra carro. Um verdadeiro bálsamo para ouvidos tão açoitados pelas buzinas dos motoristas cariocas...


A melhor coisa a fazer assim que chegar é alugar uma bicicleta. Dá pra rodar a vila toda e conhecer os pontos turísticos em uma hora, mais ou menos. As magrelas estão por toda a vila e são baratinhas. 



Se você não sabe andar nelas, também pode usar o serviço de um bike táxi, feitos especialmente para até duas pessoas preguiçosas ou que não tiveram infância andarem numa espécie de charrete. Sem preconceito, é lógico. 


Essa foi minha bike companheira nesse dia. Elas são tão fotogênicas! 



Paquetá é uma vila cheia de casarões antigos e casinhas fofinhas. As fachadas são lindas. 






Tem uns lugares muito bacanas para fazer fotos, tipo esse píer. 


Também rola de ir até lá e fazer uma selfie de cabelo lindo. 



Pode largar a bike por aí e ir explorar os mirantes e tal. Ninguém vai catar nada seu, outra coisa bizarra tão perto do Rio...



Dica: não encontramos bons restaurantes. Sugiro levar uns sanduíches e fazer o bom e velho piquenique! Bom passeio ;)

 

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segunda-feira, 2 de março de 2015

#universo30: Dois pés pretos e a epifania da escuridão

                                  Dois pés no sol. Helena, 2013

Aquela noite fui dormir com os meus pés, pretos. Ignorando a recomendação materna persistente por anos, Vá lavar os pés, Não durma com os pés pretos, Você vai pegar verme, tantas e tantas vezes ouvida que virou uma mania, uma agonia, mas naquela noite não, naquela noite meus pés pretos eram testemunhas da minha epifania.

Durante um vídeo entre luzes e meia luz, me reencontrei. Entendi tudo de novo, tudo o que eu já sabia, há tanto tempo, organicamente. Como que de forma tão estranha, artificial, o mundo foi me fazendo esquecer dessa verdade, sou um molusco, um bicho ermitão, e um monte de coisa se encalacrou em mim, mas aquele professor, frase por frase, ia retirando as anêmonas e  aos poucos eu ia vendo uma imagem perfeita da superfície da minha concha de novo.

                                                  retirado da web

“O artista é um sujeito que, por um movimento que não se sabe ao certo, ele dá as costas, digamos, à região iluminada da sociedade, à região iluminada do próprio ser e vai em direção à escuridão”, dizia o professor na tela, enquanto eu achava um sentido entre Artaud, Homero e Platão, que de repente me explicavam porque fui de preto na minha festa de quinze anos e zombava da decoração burgueso-disneyana que armaram como uma “surpresa” pra mim.

                                          Festa de 15 anos, 1997

E então entendi porque depois de 17 anos eu ainda compartilho determinadas frases no meu Facebook tão lotado de gente que não faz a menor ideia de quem eu seja, um prato cheio para fazer mau juízo, pra errar o nome de um autor, para me jogarem tomates no ponto de ônibus. E quem se importa? E quem nunca? Eu não estou me transformando numa pessoa melhor não. Mas talvez, só talvez, há quem me entenda, e ando preferindo ficar do lado desse tipinho por enquanto.

                                       retirado do Facebook

O homem continuava a falar, "o artista é um revoltado por natureza", enquanto eu me reduzia nos pixels da tela iluminada. Ele me falava em hebraico, língua antiga e já não mais falada, que eu entendia em algum ponto do meu cérebro, reconhecia de outra vida, mas que já precisava de tradução. 

Chorei. Nem os remédios da blaseéividade conseguiram disfarçar meu agora distraído bicho ermitão. "Você está bem?", perguntou alguém, "estou, sim, não, nem sim nem não, estou em crise", respondi. Por puro respeito segurei meus prantos, que vontade de chorar até engasgar, até que os soluços marcassem minha garganta e meus olhos ardessem daquele bom fogo. A crise nada mais é do que um reencontro que você andou adiando por tempo demais, e agora eu entendia. 


                                                                  Caixa d'arco. Helena, 2012

Aquela noite resolvi dormir com meus pés pretos. Não lavei meu suor, nem o pó do meu corpo, e guardei verdadeira sujeira nas minhas raizes, como disse, testemunhas do meu reconhecimento na escuridão. Tão rebelde quanto no dia em que comi espetinho de camarão na praia, pra que servem as mães, se não para ficarmos uma vida tentando fazer escondido o que elas imploram para não fazermos nunca, sinto muito minha mãe, mas você iria concordar comigo, não era possível abrir mão de nenhum grão, só no dia seguinte, quem sabe, mas naquela noite não, eu não podia correr o risco de me esquecer novamente.

Hoje acho que vou relembrar. Mas se eu esquecer, sempre posso assistir novamente. 



Entre Homero e Platão: Agnaldo Farias at TEDxUSP:




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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

#Rioaos30FDS: Parque Lage


Uma das coisas que se deve fazer quando você pira é “se encontrar com a natureza”. Como eu já disse por aqui, estou em busca da cura para o Síndrome do Pânico, doença que está me impedindo de beber sempre que quero no momento. E me fazendo encontrar com a natureza.

Então estou aproveitando o ensejo para conhecer alguns dos lugares mais lindos do Rio de Janeiro: os parques. A cidade é repleta de florestinhas lindas com casarões e obras de arte e afins.  Eu amo florestinhas! Para os dias que você estiver num Rio nublado, elas são opções que não ficam em NADA atrás das famosas praias.

O primeiro lugar que me tirou o fôlego foi o Parque Lage. Margeando uma avenida do Jardim Botânico, seu muro antigo sempre me chamou a atenção, criando uma curiosidade para saber direito o que tinha atrás dele, não por conta da sua altura, baixa, por sinal, mas porque árvores grandiosas exercem o papel de guardiãs dos segredos dali. Estou falando a verdade, quando você entrar lá vai ver também.

                         foto retirada de oglobo.com


São trilhas e mais trilhas, ainda não consegui fazer todas, mesmo já tendo visitado algumas vezes. Algumas árvores têm raizes tão grandes que formam poltronas pra você sentar e ler um pouco à sombra. Eu fiz isso, e olhei pra cima, e vi o sol. E folhas que caíam, samborilando no zunido suave do vento. E olhei pro lado, e tinha uma menina fazendo pose para tirar foto do lado de um lago e voltei os olhos pro meu livro.


E de repente, andando por aí, você se depara com alguma construção. Umas são tímidas, como o antigo aqueduto, mais parece que a natureza foi tomando forma daquilo ali. Outras, grandiosas, fazem a gente até perdoar os portugueses pela bobajada que rolou por essas terras, aquele povo, afinal, tinha lá bom gosto. Dentro do casarão há um café muito bonito, que bom que é bonito, está sempre tão cheio que é impossível sentar, daí você cai numa outra tradição, o velho e bom piquenique, vale a pena, volte para a florestinha que alguma árvore vai gostar de ouvir suas fofocas e esticará os galhos pra você estender uma toalhinha xadrez de vermelho por ali.

Alguns lugares guardam exposições também. O Parque Lage é sede da EAV – Escola de Artes Visuais, e portanto também um centro com coisinhas interessantes para fazer nosso cérebro brilhar.

Fui lá para ler. Para convencer meu namorado de ir comigo, falei que podíamos ir de carro, no ar condicionado. E depois de meia hora de leitura, no auge da bênção lá das folhinhas, ele me perguntou “se demorava muito ainda pra gente ir embora”. Tava quente aquele dia. Resolvi que estava bom por ali, poderia ficar a tarde inteira, mas pelo visto ele não. Tudo bem. Eu já sabia o que havia por detrás daquele muro e sempre posso voltar.


Serviço:

Parque Lage
R. Jardim Botânico, 414 - Jardim Botânico, Rio de Janeiro - RJ, 22461-000
(21) 3257-1800

De bus: pegue o 409, passa em quase o Rio de janeiro inteiro e p



ara exatamente na frente do parque

Entrada de graça. Tem estacionamento no lugar com um preço até barato para os padrões do Rio, mas sempre tem fila pra entrar, pelo menos no fim de semana 

Tem mais coisa aqui:

E aqui:


 

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

#Universo30#1: A Esquizofrenia


Esse blog tá ficando esquizofrênico. Em 2013 era mudança e as formigas que o universo traz pra quem se atreve a fazer 30 anos começar a se coçar. Em 2014 era a descoberta. Os lugares, as coisas que me enchiam os olhos em uma terra que começava a ser minha. Em 2015... loucura.

Dois anos, dois tipos de gente que continuam a me deixar extremamente honrada ainda lendo esses rascunhos tortos: um povo que quer ler por se identificar, por rir ou por chorar, e outro que quer conhecer a cidade desse jeito aqui.

Decidi que em 2015 escreverei dois tipos de textos, sobre o universo dos 30 anos, para quem se identifica, e sobre as histórias dos locais que vou conhecendo, assim você pode se animar e pegar alguma dica pra fazer seu fim de semana ficar mais legal, ou então se apropriar da história e nunca ter que ir no tal lugar, coisa boa são as leituras, e os vídeos, que fazem a gente muitas vezes sentir que já esteve lá ou nem perder tempo com isso.

Acho que assim fica mais organizado. E vocês aí não têm mais que se esbarrar, nem ficar lendo coisa que não querem.

Agora a missão é botar em prática a lógica, a frequência, a eloquência. Nunca consegui.



Mas pelo menos hoje é segunda-feira. 


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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Rio aos 30 Crazy Edition


Estou com Síndrome do Pânico. Uhum, tomando remédio controlado, indo no psiquiatra, fazendo ioga e tentando, pelo menos, não beber. Você também? Ah, conhece alguém que já passou por isso? É assim mesmo, é só o primeiro doido levantar a mão que chove maluco em volta. Ah, não? Isso é coisa que nunca vai acontecer com você, certo? Bem, boa sorte aí com a sua normalidade, saiba que eu pensava exatamente desse jeito até... acontecer comigo.


E foi assim, bem clichê. No último de uma campanha política na qual eu estava trabalhando, no ano passado, acho que aconteceu esse dia só pra ficar mais fácil de explicar mesmo, eu não colocaria a culpa nisso, ou pelo menos não só nisso. Fato é que era o último dia e saímos todos para beber a cerveja do dever cumprido (óbvio que eu já estava com uma ressaca monstra de uma festinha de fim de trampo que tinha rolado no dia anterior...). Eu estava indo pro bar no carro de um colega de trabalho, de repente começou: uma onda de adrenalina forte demais pra ser legal, vocês sabem, adrenalina na verdade é o corpo dizendo que vai morrer, ou tentando fazer essa experiência ficar menos ruinzinha, eufemista que é até na hora da morte, pois bem, uma onda gigante de adrenalina, não o tsunami de quando saltei de paraquedas e meu cérebro pensou que eu pudesse voar, foi o tsunami de quando saltei de bungee jump e minha cabeça tinha certeza que eu ia morrer. Tipo o sushiman que erra um pouquito na dose do baiacu, sabe? Síndrome do Pânico é isso: não achar, e sim ter certeza que tá na sua hora de dar uma morridinha. Mas enfim, eu nunca experimentei sushi de baiacu e você deve ter uma noção de como eu tava assustada.

Depois veio um vácuo. Um vazio sinistro, como se todo o meu corpo tivesse sido drenado de adrenalina e só restassem as gosmas da depressão. Depois, adrenalina de novo. E gosma da depressão. E assim foi, comigo ridícula no carro já com as pernas pra cima, fazendo uma “manobra de sobrevivência” enquanto meu colega me perguntava assustado se eu estava bem, e eu tentando não dizer pra ele que sabia que ia morrer pra ele não ficar muito sobressaltado, “imagina, é só que tenho um defeitinho no coração e tenho a REAL impressão de que ele vai parar AGORA, já desmaiei algumas vezes, se isso acontecer de novo você já tá sabendo, pode ser só pressão baixa também”, e ele pisando cada vez mais fundo no acelerador, desesperado e também tentando disfarçar, e perguntando a cada cinco minutos como eu me sentia, acho que só pra saber se eu ainda não tinha desmaiado.

Prolapso da válvula mitral, ninguém morre disso apesar do nome orrywell. Defeitinho bobo no coração, você também deve ter, mas ninguém morre disso, fica tranquilo, só tem que tomar antibiótico antes de ir pro dentista, senão uma bactéria mortal entra pelo seu dente e vai direto pro seu coração e aí sim, você morre, e em bem pouco tempo, já detonou um atleta do basquete fortão em dois dias, isso tudo quem me contou foi o meu cardiologista, maluco, isso é coisa que se diga?, devia ir no psiquiatra também.

Enfim, chegamos ao bar e EU NÃO MORRI!, apesar de toda a expectativa. Liguei pra minha irmã, coitada, é sempre ela a me salvar, foi me buscar e eu toda guenza, “Você não tá bem”, “Tô mais ou menos”, “Tá sentindo o quê?”, “Tô sentindo certeza absoluta que vou morrer”. Ora, lá foi ela, com toda a sua experiência, ficou conversando comigo, catando detalhes e prontamente saiu com um diagnóstico, e a receita, e o remedinho também, minha irmã é muito eficiente para essas coisas. “Toma aqui, bota meio Rivotril embaixo da língua que vai passar” , “TÁ MALUUUUCAAAAA? SE EU TOMAR RIVOTRIL EU VOU MORRRREEEERRRR”, “Vai nada, isso é dose pra criança”, “Vou sim, vou sim, tira isso de mim”, “Helena, sabe o motivo desse ser um dos remédios mais tomados no mundo todo? É que não dá pra morrer dessa porra, não existe overdose de Rivotril”, “Tá bom, só meiota então”, “Pronto, daqui a cinco minutos mais ou menos você vai parar de ter certeza que vai morrer”.

E assim foi. Como eu já disse minha irmã é joia pra essas coisas. A outra parte eu conto depois pra você, que esse papo de doença enche a cabeça de qualquer um, mas posso te adiantar que fui a um psiquiatra de verdade e ele me diagnosticou também. Aí caiu a ficha. É isso. Tarja preta. Credo. Isso não é o tipo de coisa que acontece comigo. 

Mas quer saber? Pode ser que quem pira não é exatamente quem não aguentou o tranco. Quem sabe se quem pira é quem tenta se superar demais? Não é pra me livrar da estranheza que a caduquice traz não. Mas eu sempre tive uma certa empatia com pais que deixam crianças enfiarem o dedo na tomada. Malvadona, eu sei. Mas é quase o contrário... e eu estou tendo cada vez mais certeza que eu sou a criança que sempre enfia a porra do dedo na tomada, e antes de todo mundo ainda por cima. Pra nego ver que a gente sobrevive, e eu sei de um segredo antes de todo mundo, mesmo que às vezes o segredo seja um choque. 

Ou então a crise é o corpo falando “paraê, cacete, dá um tempo” e isso é coisa de gente normal, porque gente anormal o corpo simplesmente não avisa e dá ruim.

De fato, isso aconteceu há três meses e já deu tempo pra eu dar uma digeridinha no assunto, claro, eu que não ia escrever pra você loucona de remédio e cheia de dor de cabeça. (É, tarja preta dá dor de cabeça no início. Em mim dava dor no tubo neural. Só sei explicar assim). Então, o que me explicaram de cara é que o tratamento consistia em remédio, terapia e a parte haribol, ir pra natureza, fazer ioga, essas coisas. Tô fazendo, em maior ou menor grau. Já passei por algumas fases, mas aff!, não vou te encher mais com esse papo hoje que é sexta feira e só sinto inveja de você que vai tomar uma cerveja nesse calor infernal. O que posso te adiantar é que apesar de putona com todo o processo, aprendi que o ângulo que se olha pode mudar tudo. E quem sabe doença não seja exatamente a melhor palavra para o que se alastrou em mim. Agora me parece mais é que há três meses eu comecei um profundo processo de cura.

Sabe-se lá do quê.


Conheça a autora 

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Lista de Ano Novo



Todo início de ano eu não resisto e caio numa armadilha de autoajuda pra dizer que a vida é nova. Trata-se de uma pequena lista, ao menos a ideia é que seja pequena, de três coisas no máximo, para que só as grandes permaneçam, três grandes coisas que você quer realizar no ano que vem e três que você fez no último, isso para te dar o fôlego de pensar grande, já que conseguiu então fazer tais coisas no passado pode também sonhar algo à altura para o futuro.

Este ano não foi diferente e pus-me a pensar no que gostaria para o próximo ano. 

Vazio. 

Como se me sentisse tão realizada com tudo que já está acontecendo que não houvesse nada com o qual sonhar, mentira cabeluda essa. Pensei mais e de novo caí no vazio, como pode coisa dessas, vou começar com “emagrecer” que não tem erro, é o que encabeça a lista há pelo menos cinco anos.

Travei.

Melhor pensar no que realizei em 2014, assim as coisas correm, como já expliquei basta lembrarmos de quanto somos maravilhosos para sonhar com maravilhas.

Para minha total incredulidade esta lista também não saiu. Vamos lá, pense, pense, peeeeeeeeeennnnnsssseeeeeeeeeeee

e me vem então, claro!, as viagens que realizei, Chapada Diamantina, uma road trip fantástica, vi a cachoeira mais bonita da minha vida, chama-se “Buracão”, você tem que ir lá, foi o Spielberg quem fez, tô te dizendo, ele veio ao Brasil, aos rincões da Bahia para isso e se saiu muito, muito bem.

E depois o Chile, e subi um vulcão que depois vim a saber que estava ativo, bem ativo por sinal, dois sinais pra ser mais exata, é assim que um dos três corpos de bombeiros da cidadezinha avisa que o sinal já não é mais verde, de vulcão tranquilão, mas amarelo, de vulcão espreguiçando. E vi a neve pela primeira vez, e brinquei com ela, arrá, vamos lá, essa lista que nada tinha começa a dar ares de especial.

Então:

1) Conheci a cachoeira mais bonita
2) Brinquei na neve

E aí fica faltando só uma, mas de qualquer forma me parece tudo muito estranho, meio hipócrita, que realização foi essa afinal, a neve sempre esteve lá, assim como a cachoeira, a única coisa que fiz foi comprar uma passagem, quiçá dirigir um bom bocado, e nadar, nada mais, mas o que é isso, pra se comprar passagem precisa de dinheiro, a cara do sucesso, você conseguiu dinheiro pra isso, sim, mas não era uma meta, assim, só depois que cheguei lá é que vi que a cachoeira era a mais bonita, e que no vulcão tinha neve, façamos o seguinte então, transformemos os dois pontos em apenas um para que a coisa fique justa.

Ah, sim! Abri uma empresa!

Portanto: 1) Conheci a cachoeira mais bonita AND brinquei na neve; e 2) abri uma empresa. 

Só falta um.

Se bem que sejamos justos, não fosse a encheção de saco do meu namorado eu jamais teria levantado as perninhas pra começar esse CNPJ. Tá, mas você aceitou, e você é taurina, morre de medo dessas coisas, vale um ponto inteiro sim e a lista se mantém, senão jamais terminaremos essa bagaça antes de começarem a pocar os fogos de 2016.

3) Comecei a tomar tarja preta

Ah é, isso não é bom, nem era uma meta também, se bem que tem lá o seu glamour, noooossssa, trabalhei tanto que entrei no tarja preta, mas nós dois sabemos que isso é uma mentira também, nunca adoeci de trabalho, não foi agora, ainda não sei porque foi, o cretino do psiquiatra não me responde, aposto que ele já descobriu e não me conta pra continuar tirando meu dinheiro toda semana, vou falar pra ele ir gastar lá naquela cachoeira da Chapada que pelo menos me sinto sócia de algo que realmente gosto.

Voltando à lista, isso não é bom, se você colocou isso na lista é porque passou o efeito do último que tomou, inventa algo mais bacana.

3) Emagreci

Fato. Emagreci mesmo. Mas foi por causa do tarja preta e não de alguma coisa mais bacana, tipo suor e dedicação. E depois que descobri que não morre se beber álcool tomando tarja preta engordei tudo de novo e meu sonho de sair nas fotos do Ano Novo sem parecer a irmã gêmea do Mocotó no tempo que era DJ foi por água abaixo. Então tá.

3) Descobri que não morre se tomar álcool com tarja preta

Essa é boa. Mas se tem a maior ressaca do mundo, vou te dizer. Não tente fazer isso. Sério.

Beleza, fechamos por aqui, só falta fazer a lista de 2015 agora. E depois do “emagrecer” foram vomitados mais 10 pontinhos de coisas a se realizar, depois lembrei de mais um, esqueci agora, mas tem outro, que pode ser “parar de tomar álcool com tarja preta”, isso, meleca, já tem doze. Os outros não vou contar, ora, isso é coisa que se pergunte? Desejo é que nem dente de leão, se você joga no vento, esvanece, meu filho.

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Pensei no que eu queria alcançar para 2014, será que consegui realizar aquilo que escrevi no Ano Novo velho? Não sei. Não lembro mais e não faço ideia de onde foi parar o papel.


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