sexta-feira, 18 de abril de 2014

Arte ostentação





Inventei de ir à exposição do Ron Mueck no MAM. Éééé, o Mueck, aquele das pessoas gigantes. Então. Não basta ter que enfrentar mais de uma hora na fila para ver uma exposição. Tem que aguentar as outras pessoas que vão na mesma exposição. Aquele monte de gente adulto velho criança carrinho de bebê tentando abrir espaço em meio à multidão de celulares e gente. Fiquei irritada. Odeio montes de gente.

Coloquei a culpa no FHC. Aaaaahhhh, a porra do real, do frango com iogurte. Chegamos na fase da arte, gente! A arte ostentação. Vejam só a minha tese e se não tenho uma pontinha de razão: Depois que a classe média brasileira começou a comer catupiry, ela acha que pode tudo. Porque pode mesmo! Você pode fazer tudo o que quiser, a única coisa que vai mudar é o número de parcelas do cartão de crédito.

Esse excesso de confiança na gente (nós, a classe média, perdão aí se você é “bem de vida”) fez com que uma mudança drástica acontecesse de uma geração pra outra. Veja bem: lembro que no tempo dos meus pais nem se COGITAVA coisas como férias no exterior ou pagar um milhão de pertrodólares para ir a um show. Se o show custava um milhão de pertrodólares, então não era pra mim. Ou, se eu era MEGA FÃ dos caras, se eram a banda que eu MAIS GOSTAVA NO MUNDO, aí a família fazia uma vaquinha pra que eu fosse. Assim era.

Hoje não. A coisa se inverteu de uma forma que se você NÃO FOR é meio embaraçoso. Como a gente pode sempre dividir no cartão, não existe mais dizer que “estou meio sem grana, não vai rolar”. Agora existe um “não gosto muito dessa banda”, e olhe lá. Você NÃO VAI AO SHOW DO RED HOT? VOCÊ NÃO VAI AO SHOW DA MADONNA? VOCÊ NÃO VAI À PEÇA DA MARIETA SEVERO?

Você tem que ir e tem que ter um smartphone também, para postar pelo um menos uma foto de que foi. Se você não provar ostentar que foi, é porque nem esteve lá. E não adianta querer tirar onda depois não.

Voltemos ao Ron Mueck - GENTE. Eu não conseguia chegar perto das obras. A coisa mais encantadora, que são as expressões, as cenas misteriosas que o cara consegue criar eram constantemente permeadas de gente entrando e ficando tempo demais DE COSTAS PARA AS OBRAS e tapando a minha visão. Para quê?

Para fazer a porra do #artselfieostentação, ué.

Gritei. Ô caralho, tem essas fotos todas na internet, gente! Não funcionou. É lógico. Tem todas as fotos do Ron Mueck, das obras do Ron Mueck, da mãe do Ron Mueck, mas quem é o Ron Mueck senão um ótimo cenógrafo que faz um belo fundo de foto para a minha cena onde em primeiro plano entra EU, o grande artista afinal de contas, não é mesmo?

Aí veio também arte selfie ostentação das madame. Um monte de madame fazendo fila para tirar foto do lado das grandes letras escritas na parede, “RON MUECK”. WTF???? Você está tirando fotos do lado do nome do ACLAMADÍSSIMO RON MUECK, aquele mesmo que até aparecer no Jornal Hoje ninguém tinha ideia de que cor era o nariz?
Aff....

Praguejei o nome das pessoas que deixaram fazer fotos. Detalhe: não podia tirar com flash.  Pobres coitados dos estudantes de arte que tentavam em vão explicar isso aos lobos famintos do instagram com seus corby a postos, atentos a qualquer facho de luz que fizesse a falta de resolução ficar levemente disfarçada.

Escorreu preconceito aqui, tá bom. Já disse um ator certa vez para mim, “se a Globo faz a fila de gente triplicar pra ver uma peça (ou, nesse caso, assistir a uma exposição), que seja”. Os fins, nesse caso específico, justificam os meios. Mas vou te dizer: onde arranjo a caralha da paciência pra aguentar até esse povo todo entender que é uma baita falta de educação você achar que pode ficar o tempo que quiser tentando fazer a melhor pose na frente de uma obra enquanto 1254851346554 pessoas estão atrás loucas pra olhar um pedacinho que seja da dita cuja? Porque, sinceramente, eu vi todas as peças assim. De pedacinho em pedacinho. Depois juntava na minha cabeça.

Voltei à exposição para levar meus pais. Claro, eles têm mais de 60 anos, nem por cima do meu cadáver eu enfrentaria aquela fila de novo. Papai me perguntou de onde o Mueck era (sim, a maldição das perguntas insanas permanece para todo o sempre amém) e eu disse “Acho que é sueco”, que bom que existe a expressão “acho que”, porque ela te permite colocar qualquer coisa do lado dela, até uma palavra como “sueco” no lugar de “australiano”.

Então gente, por pura rebeldia eu não fiz fotos.
Pelo menos não muitas.
Pelo menos não comigo na frente.

Serviço:
Vá lá e não tire tantas fotos! As obras são lindas também!
O MAM fica no aterro. Salte na Cinelândia e vá em direção ao aterro, atravesse na passarela que você estará na frente.
O valor é R$ 14,00 inteira, R$ 7,00 meia para estudantes e idosos.
Dá pra comprar pela internet com antecedência e a fila é MUITO menor.
Entra aqui e compra http://www.mamrio.com.br/
Se não der, compre um velho na fila. Senão você vai ficar mais de uma hora esperando.

Aproveita pra ver outras coisas! Na exposição “A inusitada coleção de Sylvio Perlstein” tem obras de Magritte, Dalí e Duchamp no mesmo prédio. E este é um segredo que apenas dez porcento de quem vai lá ostentar com o Mueck descobre, então aproveita a diquinha!

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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Roteiro de um dia no Rio: Morro do Leme + pôr-do-sol



Ainda estava no horário de verão quando gravei esse vídeo. Lua e Quito são os companheiros desse dia ressaqueado e confuso que vencemos fazendo uma coisa super saudável: subir o Morro do Leme (que fica lá no cantinho à esquerda de Copacabana, é só andar até o final MESMO) e depois apreciar esse programa tão querido dos cariocas que é ver o pôr-do-sol. E nós só não batemos palmas porque estávamos com uma cerveja na mão.

Importante saber:
*A vista é linda, a "trilha" realmente é só um caminho. Só imbecis ressaqueados como nós parariam no meio do caminho para pegar um ar. 

*Não esqueça o papelzinho escroto que eles chamam de ingresso. 

*Leve água em estado líquido.

*Para informações sobre o quadriciclo, visite esse site: http://www.rio.rj.gov.br/web/riotur/exibeconteudo?id=1182160

*Para informações mais próximas da realidade sobre o Cristo Redentor e sua criação acesse http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristo_Redentor


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terça-feira, 11 de março de 2014

Notas de uma velha babona


Sou tia. Uma tia velha e babona demais pra estar no mundo. Enquanto todos os meus amigos já têm sobrinhos completando lá seus dez anos, eu tô agora naquela fase ridícula de ficar estudando, de longe, as fotos, pra saber se a sobrancelha da pequenina parece com a minha. E posso te garantir uma coisa: não pa re ce por ra ne nhu ma.

O rosto é todo da mãe, mas o cabelinho grosso e preto demais entrega que essa vai ser uma devoradorazinha de tahine, é só esperar. Puxou ao pai também o gosto por comer e dormir, coisa que faz, basicamente, o dia inteiro. Tudo nessa vida de bebês é feito de clichês; eu a acho linda, apesar de ser só um bebezinho, e fico me perguntando se a bichinha realmente é bonitinha ou se algum traço genético me faz achar um joelhinho a coisa mais linda do mundo.

E aí vem os diálogos bizarros.

“Como está a vida de papai? –Não sei, ainda não tive a oportunidade de pegar minha filha no colo”.  

“Como é esperta! -Como assim? Porque está viva? Se isso é esperteza, eu sou o Einstein”.

“Você CHOROU, pai? Nunca te vi chorar! –“Chorei não. Só... me emocionei. É uma emoção muito grande”.

Chata. Agora que não estava mais sofrendo tanto tanto de saudade de tudo anterior, agora que meu coraçãozinho tinha enfim ganhado um relax da contração perdida de tantos rostos desaparecidos, agora volta essa angústia pra sempre de não estar lá. O que é quase um remédio, porque fico imaginando que ia agarrar a menina e não largar mais.

“Você foi hoje ver sua neta? –Não. Estou respeitando, é o primeiro dia deles em casa. Vou amanhã”. (tipo muito esforço)

Eu lembro como é essa sensação. Foi assim quando o meu gato foi lá pra casa. Eu trabalhava rapidinho pra voltar e ficar com ele. Imagina um ser humano? Um ser humaninho que abre os olhos, come, dorme, tão esperto esse serzinho, ai meu Deus, eu não sairia de perto. É bom mesmo esse ser humano ter alguns dias a mais na Terra quando eu for encontrar com ele, pro bem dela, é preciso que esse ossos estejam mais fortes para aguentar o tranco.

Os hormônios das mulheres são realmente coisas catastróficas. Estou chegando à conclusão que, depois que essa merda toda é jogada no ventilador, lá pros quinze anos de idade, depois disso a gente não tem mais personalidade, a gente tem hormônio. O que estiver dominando é o que vai ditar o que você é hoje.

É tão assim que meu amigo de trabalho, com quem eu trabalhava todo santo dia colada, sabia mais do que eu das minhas fases ovulares. Um dia ele disse que eu tenho um ovário demoníaco (o que me faz gritar) e um bom (o que me faz chorar copiosamente por qualquer coisa, ou seja, bom pra ele, que não tinha que aguentar minhas ebulições e ainda fingir que não sabia que se tratava de uma questão ovariana e não de caráter mesmo).

Isso é só o básico de uma vez por mês. Porque, minha filha, depois dos trinta anos a gente fica re-tar-da-da. Digo, no sentido do tema de hoje, quando vemos uma criança a gente para tudo, para o que está fazendo e faz aquela cara de cachorro pro ser.

Eu estou assim há algum tempo e não desperdiço nenhuma oportunidade de catar crianças alheias caso os pais consintam. Já passei vergonha, é bem verdade. Amigos já me apelidaram carinhosamente de “Nazaré”. Em outra ocasião peguei uma criança emprestada numa festa e não devolvi mais enquanto o pai não veio pedir. E não é que o fdp veio mesmo pedir? “Posso ficar um pouquinho com ela agora? Estou com saudade”, foi o que ele me disse. “Tudo bem, fique um pouquinho e depois devolva”, foi o que respondi.

Ontem recebi uma foto com a minha sobrinha vestida com a roupinha de personagem do Super Mário que comprei pra ela assim que fiquei sabendo da gravidez. Tem noção da minha reação quando vi a foto? AAAAAAAHHHHH! Re-tar-da-da. E as fotos que recebo dos avôs com ela? Uma criança toda empetecada no colo de um adulto com um ar esmorecido, uma cara de quem acabou de tomar Valium. É assim mesmo?

Fora a quantidade exorbitante de roupas, acessórios, sapatinhos que andam fazendo para a pobre da menina. Penso em quantas vezes os pais têm que trocar para dar tempo de ela usar tudo nessa vida. Deve ser cansativo... Bota roupa, tira foto, envia para quem deu a roupa, muda de roupa, tira foto, ad infinitum... ai, que legal!


Ser tia é achar que é mãe sem ter que passar o café.



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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Felicidade?!?@


                        foto: Caixa d'água, ES, 2012

Alguém aí tem visto a horrorosa novela das seis, se não me engano é a das seis, aquele puxadinho de Malhação intitulado “Além do Horizonte”? Não, né? Pois é. A trama trata prometia tratar, lá no início dos tempos, lá onde o horizonte fez a curva, sobre o tema “a busca da felicidade”. Até aí, tenho que te dizer que eu ia deixar me envolver, por um capítulo ou dois, pra ver se me embarcava na deriva de uma ficção que traz inclusive uma sociedade alternativa para a busca da tal felicidade, com direito a muitos vilões que sacaneiam as pessoas transformando-as em seres passivos e complacentes, hahahahhahaha, com ajuda de uma máquina poderosa, heheheh, um desbarato impossível de ser reproduzido aqui, assim, rapidinho, então nem vou tentar, até porque eu nem vejo, só ouço os diálogos, mal e porcamente, pro meu desprazer é a hora que estou na cozinha, onde só pega Globo.

Enfim! Alguém já me disse que dou voltas demais. A felicidade. Parece que o tema agora está na moda. Sabem, um professor muito bacana me ensinou, nos primórdios dos meus 15 ou 16 anos, quando eu fazia um workshop de roteiro pra cinema (sim, eu já era retardada) que existem pouquíssimos temas nos quais os autores deviam se engalfinhar para atingir a fama, e se esses fossem esprimidos, dariam num só: o amor. Gostaria de encontrar esse sujeito agora pra dizer pra ele que, nesse ínterim estranho de vida que estamos, parece que o mundo está cagando pro amor. Foda-se o amor. Agora o esquema é a felicidade! “Beijo na boca é coisa do passado; a onda agora é, é ser auto-suficiente”, ou “não procure a metade da laranja, seja você a laranja inteira”, ou “o homem mais feliz do mundo encontrou a felicidade dentro de si”, alguma frase de caminhão dessa você já leu, então captou a mensagem que o mundo quer cagar agora.

Eu concordo, tá gente? Concordo com isso. Mas tá sendo engraçado demais ver a contracorrente da geração Y, aliás, a contracorrente DA CORRENTE que prega que existe uma geração Y, e que somos nós, seres que não sabem lutar pela própria felicidade, que acha que ela deve cair do céu porque nós merecemos, porque somos bons, asseados e merecedores. Eu ainda não cheguei a uma conclusão sobre isso, de geração Y, e acho mesmo que estou tentando relacionar coisas sem sentido algum, ou minha incapacidade está em exprimir melhor a relação que vejo em todos esses discursos, e perdão por isso, MAS... o fato é que já leio bastante gente reclamando como eu, no post ainda mais lido desse blog, que esbravejar felicidade em facebook é um saco. Talvez a relação seja só esse excesso de palavras sobre o mesmo tema. Que antes era o amor.

Aí chegaram dois textos de blogs distintos para mim essa semana. Um de uma moça que se despede do Rio, outro de um casal que se despediu do Brasil, e os dois meio que embarcam nessa onda de dizer que estão, em maior ou menor grau, “em busca da felicidade”.  O primeiro é da jornalista Alexandra Lucas Coelho, disponível aqui: http://oglobo.globo.com/rio/alexandra-lucas-coelho-a-hora-da-despedida-11668912 .

Um texto forte, poético, que eu terminei de ler pensando WTF???? Ela gosta ou não gosta dessa merda, afinal de contas? Porque sinceramente, a moça deu uma de forte mas a minha vontade é fazer uns cafunés nela e falar “calma neguinha, faremos uma vaquinha pra você pagar seu aluguel”...

Tá, concordo com ela que a questão a ser colocada é ótima. Você se esgoelar para conseguir o dinheiro para pagar o aluguel é uma sensação horrorosa com a qual estão estou tão bem familiarizada que já nem faço piada mais. Mas se alguém perguntar se quero sair daqui eu não tenho dúvida nem por um segundo. É NÃO, em caixa alta, mesmo que essa resposta venha com um bom bocado de esperança da bolha imobiliária desinchar depois dessa caralha de olimpíada. E por quê? Porque acho que a cidade se paga em coisas gratuitas para se divertir, por exemplo. Porque acho que as possibilidades de fazer dinheiro são maiores. Porque ainda não gastei vida aqui o suficiente. Mas entendo se você não quiser ficar mais. Só não sofra tanto para tentar se convencer que é ótimo deixar o barco. Seja homem, mulher!

Tem uma coisa muito chata que vem com quem muda de cidade. Acontece com todo mundo. A pessoa fica fascinada com o novo lugar e fica jorrando isso aos quatro ventos, como tal lugar é maravilhoso, como tudo é mais legal, e também – por que não – há espaço sempre para falar mal da antiga cidade, tadinha, te abrigou tanto tempo, você se divertiu tanto nela, e agora ela é uma merda?! Bom, eu tive essa fase. Ficava tentando esconder, sem conseguir muitas vezes, porque sabia, lá no fundo, o quanto era ridículo. Tentei carregar meus amigos para cá, arranjei propostas de emprego para eles, fiquei horrorizada quando negaram, não entendia a atrocidade de tal decisão. Hoje, percebo claramente o que era isso: a parte mais sofrida da MINHA escolha. A saudade, que está levemente retratada no último texto do outro blog de que lhes falei, o www.gluckproject.com.br. O site, também de jornalistas, fala sobre a busca da felicidade de uma forma mais irônica, e eu me identifico bem com eles, inclusive porque são como porcos a escrever, sem se preocupar com a lavagem no ventilador, por aí.  

Vamos aos fatos, então. Pelo menos dois amigos meus deixarão de viver no Rio este ano. Tá achando pouco? Quantos amigos você acha que eu tenho aqui? Amigos de verdade, que eu posso ligar até encher o saco, pra tomar uma cerveja na quarta-feira? Não são muitos, nem aqui nem no mundo... E quer saber? Dei força para os dois. Cada um sabe onde a sua felicidade está. Qualidade de vida é uma coisa que se compra, sim, e aqui tá caro demais, eu sei. Sentirei saudade, como quem, de dieta, sabe que para sempre não pode comer chocolate, só muito de vez em quando, só para te lembrar do quanto você é infeliz por ser gorda. Isso pode ser uma abstinência tão grande no primeiro ano que pensei que fosse depressivar, só de sentir saudade, e ninguém fala disso, não é mesmo? Claro, depois passa. A ponto da gente conseguir dar força pros amigos que querem mudar daqui.


Credo, que texto triste, sem cara de Facebook... chega. Acho que vou começar a falar de amor.    


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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Dia de museu com Maul



Algumas pessoas muito, muito próximas, estiveram me encorajando a fazer mais vídeos, nem que fossem menores, do celular mesmo, já que colocar uma equipe de gravação na rua é tão fácil quanto levantar uma tenda de circo. (Vejam bem, essas pessoas são realmente próximas, já que ninguém em sã consciência pediria a desconhecidos para fazer registros no celular porque querem ver vídeos caseiros).

Bem, como a fanfarronice vem cada vez mais tomando conta da minha personalidade, resolvi brincar disso e ver o que saía. Aproveitando a visita de um amigo muito querido, e aproveitando que ele me fez sair de casa no verão do Rio de Janeiro não para ir à praia, não para beber uma gelada, nããããão, mas para ir a MUSEUS, que é coisa boa demais para fazer no verão do capeta dessa cidade, enfim, empolguei e fiz uma versão do Rio aos 30 “selfie”! (uma ótima justificativa pobre com um termo da moda).

Então enquanto a galera Cazota prepara uma coisa mais bacaninha, com uma câmera de verdade, fica aí uma brincadeira para vocês que não tem absolutamente mais nada para fazer ou que adooooram ver vídeos caseiros alheios. E claro, para quem estiver por aqui e quiser muito não beber uma cerveja, não ir à praia, etc etc etc, fica a dica do roteiro desse dia para marinheiros de primeira viagem.

PS: Tem ar condicionado em todos os centros culturais do Rio.

SERVIÇO

Bienal de Caricatura
Uma furada. Só vá lá se você estiver de passagem, ou para visitar o próprio Museu da República, ou se você quiser ir ao cinema de lá, ou se você for muito, muito fã de caricatura.
A mostra fica no Jardim Histórico do Palácio do Catete, que fica exatamente em frente à estação do metrô Catete. São seis painéis expostos com a arte de Jorge Guidacci. E só.
Em cartaz até dia 20 de fevereiro, de segunda a sexta, das 8h às 18h, entrada grátis.

Oi Futuro Flamengo
Dá tranquilamente para ir andando do Palácio do Catete para o Oi Futuro Flamengo, que fica na rua Dois de Dezembro, 63. Basta seguir pela Rua do Catete para a direita de quem olha o Palácio, a rua Dois de Dezembro é uma transversal. (A distância entre os dois pontos é de 700 metros).
Nesse centro fomos visitar a mostra do cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul (cujo nome é impronunciável, fique tranquilo). Tem sete curtas sendo exibidos simultaneamente ao longa mais conhecido do artista, chamado “Hotel Mekong”. Gostei muito de Ashes (2012),Uma Carta para o Tio Boonmee (2009) e O Hino (2006).
Fica só até o dia 09 de fevereiro, das 11h às 20h, entrada grátis e classificação livre.

Casa Daros – Botafogo
Seguimos até o final da rua do Oi Futuro Flamengo e encontramos um ponto de ônibus logo de cara, no aterro, onde pegamos o 107. De lá saltamos no ponto mais próximo da Casa Daros. (Se você é de fora, não fique intimidado a pedir informações aos trocadores e motoristas, eles estão mais do que acostumados e quase sempre são muito solícitos). Se você fizer esse mesmo caminho, vai saltar do outro lado da rua. Nem tente atravessar por cima, é a saída do aterro, uma via expressa perigosa. Há uma passagem subterrânea mais à frente, ande até lá e passe por baixo.
A Casa Daros é super bonita e tem sempre uma programação agitada, por vezes se estendendo até a festinhas à noite. Lá vimos duas exposições muito legais: a “Le Parc Lumière”, de Julio Le Parc, e Matriz de Voz, de Rafael Lozano-Hemmer.
Le Parc Lumière é um parque de diversões luminosas, e todas as paredes da Casa Daros foram pintadas de preto para que você ande num breu total. Inclusive os seguranças pedem que você fique três minutos numa antessala até que sua retina se acostume com a escuridão, para só depois andar com segurança pelos salões. 
A exposição fica até o dia 23 de fevereiro, das 11h às 19h (domingos até 18h). O ingresso para conhecer todas as exposições da Casa custam R$ 12,00 inteira.


Matriz de Voz é a experiência de gravar a voz em uma sala com uma brincadeira de iluminação. Esta fica até o dia 09 de março e está no “pacote” da Casa Daros.  



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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Reabrindo os trabalhos



Senti culpa. Senti em todas as cinco cidades nas quais pernoitei na Bahia. Senti todos os dias. Pensava no tamanho do problema que encararia assim que o ano começasse, precisamente no dia 1º de fevereiro, já que este ano o carnaval só será em março. Senti que minha vida estava suspensa, e aproveitei enquanto os cabos não fossem cortados pela dura, duríssima realidade. A culpa no frescor aumenta a temperatura da rotina, todos sabem não é? Nem será tão ruim assim, agora que começou. Só tinha que começar.

2014 veio com o cavalo de madeira. Sabem, nas passagens de ano eu fico assim, mística, quase apocalíptica, não importa se a soma dos numerais vai dar num número primo ou não. Então esse ano eu já estou munida (há bastantes meses, inclusive), do meu livro personalizado de horóscopo mês a mês e já está no meu quadro imantado a cola da minha leitura do tarô do ano. Também li cartas para todos os pobres que aceitaram minha disponibilidade insistente de taróloga voluntária para assuntos de ano novo, tudo para ter uma ideia geral de como será esse pacotinho de 365 dias, se não me engano sem bissextualidade dessa vez, sempre alardeiam na TV quando o ano resolve mudar sua orientação com um parafuso a mais, mesmo que isso, tediosamente, seja repetido ad eternum de quatro em quatro gerações.

Então, segura peão! Que você está lendo uma pessoa pós-graduada em 2014! Para começar: esse é o ano do cavalo de madeira, como já disse, só que isso é no horóscopo chinês. Lá tem uns doze bichos e uns cinco elementos, se não me falha a memória, que vão se combinando para trazer ao ano lufadas de características parecidas. Esse cavalinho traz a força para os novos projetos. Então, desengaveta aí aquela ideia antiga e arregaça as mangas, que se você acreditar, igual quando passa a estrela cadente, mas só que com muito mais esforço, tipo o esforço de você pegar uma estrelinha que tava lá parada, olhando pro horizonte, e desse um peteleco de 700 milhões de quilojoules para ela cair, aaaahhhh, olha só, que sorte, uma estrela cadente, aí sim os seus projetos se tornarão realidade.

Faz todo o sentido! Nas minhas leituras de tarô para os outros (e para mim também, tenho que confessar), saiu um bocado de cartas do piru (isso é uma gíria para quem nasceu antes do ano de George Orwell, não tem conotação sexual, e se você não sabe qual é o ano de Orwell, mesmo que tenha menos de 30, deveria se informar melhor, ler mais livros que tem coisa que é pra todo mundo, meu filho), então, cartas do piru, tipo A Torre, A Morte, o Dez de Espadas, cartas que dão o peteleco da estrelinha pra sua vidinha que tava tão lindinha virar um verdadeiro caos. A boa notícia é que é você quem dá o peteleco!

Eu “inventei” um método novo de leitura que traz dois baralhos ao mesmo tempo para a mesma situação, e já deu certo isso, então a gente fica sabendo melhor ainda como se dará a tal situação, então do lado dessas cartas do piru vinham sempre cartas muito joias para dar uma contrabalançada na fuzarca, o que significa que todo mundo vai tentar f*** com a rotina e que isso será muito bom.   

Tá se identificando? Pois bem. Sabem, dizem que essa coisa de uma pessoa ficar doidona pra saber o futuro nada mais é que uma atitude infortunada de tentar controlar o incontrolável, ou seja, a vida, o destino, os dias, as horas, caso você esteja com o probleminha mais avançado, tipo eu. Mas acho que é meio que inofensivo, se você não pensar demais nisso. O mínimo que pode acontecer é você se sentir corajoso a fazer uma cagadas, e nisso eu boto muita fé.


Feliz 2014 para vocês!



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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sobre a culpa

                            foto: Igor Borgo


Estou pronta para tirar as minhas primeiras férias desde que me mudei. Prontíssima! Contando os dias! Como todo bom assalariado que se presta. Não, melhor. Bem melhor.

Olhei para frente e vi as águas azuis de uma caverna da Chapada Diamantina. É para lá que, se Deus quiser e o Diabo não se opuser, descansarei meu corpinho riscado, gordolento e fatigado  dos últimos anos. Não lembro quando foram, oficialmente, minhas últimas férias. Sei que fui à praia algum dia de semana nesse meio tempo, o que, a olhos menos atentos, já valeria um mês de férias só pela ousadia, nesse mundo que tanto preza as oito horas e mais uma de almoço e mais três de deslocamento. Não estou reclamando. Só estou te dizendo que talvez essas sejam as férias mais maravilhosas que vou viver, com certeza a que está me criando mais expectativas, e só por um motivo: o que mata o freela não é o excesso de trabalho, e sim a abundância de culpa.

Para te falar a verdade ainda não me acostumei. Essa coisa de ficar em casa é muito estranha. A gente vai ficando obcecada com limpeza, com produtividade, com disciplina, e nunca consegue fazer tudo o que está na famigerada lista que faço todo santo dia. A gente sabe que tem que trabalhar – por si próprio, por suas ideias, senão ninguém mais no mundo o fará. A gente tem que aprender muito mais também, porque não tem que entregar um serviço do jeitinho que já foi pedido um milhão de vezes, mas fazer coisas novas o tempo todo. Trabalhar a criatividade, principalmente puxando a própria orelha três, quatro, cinco vezes ao dia que te dá vontade de deitar e ver uma TV. Ou dar uma faxina melhor na cozinha, meu bem, como você pode não perceber, em cima dessa geladeira está um CAOS!!! Não, não vai dar para sentar e escrever NADA agora, preciso pelo menos passar um paninho ali, vixe, tá grudento, preciso de bucha, e bombril, deixa de molho no mr músculo, juro que não vou ficar olhando a sujeira se desintegrar com o passar do tempo, jesus cristinho, são cinco horas da tarde e eu nem li o que me impus de meta para hoje, como o tempo passa rápido quando se está em casa, mas será? Será mesmo que eu produzia muito mais quando estava num ambiente de trabalho habitual, ou o fato, o fato verdadeiro, é que o que eu não tinha era essa porra de CULPA, essa CULPA GIGANTE que todo mundo que é freela ou faz mestrado tem, que se tudo der errado A CULPA É SUA, seu preguiçoso de uma figa, já sim, todos perceberam que não vai ser o suficiente, o tanto que você lê, e vê, e escreve não será nunca o suficiente, então porque eu morro de culpa? E olha que nem topei entrar na turminha de mestrandos Jesus, já te disse minha filha, porque se você não fizer o que botaste na tua cabeça que tens a fazer ninguém mais o fará e principalmente porque ninguém, além de você, vai se julgar com uma crítica tão cínica, meu Pai como você é cínica, com os outros dá pra ter uma ideia, mas contigo mesmo, minha filha, tu é muito pior, vai acabar ficando velha e cheia de rugas mesmo antes do tempo. Ah, a culpa então não é do vinho não? Tá vendo, tá aí, na sua boca, falando de novo que a culpa é sua, eu não disse nada. Gente, é mesmo, preciso de terapia, que porra é essa? Veio da minha infância é? Sei lá, mas acho bom você se curar antes de ter filhos, dizem que piora.

Porque é tão difícil dizer “estou tirando férias porque mereço”? Porque desde que inventei essa merda de história de recomeçar aos trinta só o que faço é viver um dia de cada vez com a leve impressão de que os anjinhos da guarda estão pregando peças em mim, fazendo um teste para ver se eu permaneço de pé, tornando as coisas um pouquinho, só mais um pouquinho difíceis do que para todo o resto do mundo, como procurar apartamento por quatro meses a fio, só para começar a história. Ah, além de culpada é egocêntrica, a vida é assim mesmo minha filha, para todo mundo é difícil, e você tá se fazendo de vítima para quê, se é tu mesmo que vai ter que resolver as paradas todas até desanuviar essa borreira na qual transformaste tua vida? Cala a boca, vai dormir, minha vida tá ótima, só falta eu sobreviver mais uma meia dúzia de dias e entro no estágio semi-consciente que a estrada vai me proporcionar, para bem longe, bem longe, bem longe daqui e da sujeira de cima da geladeira.


Não existe culpa nas águas azuis da caverna da Chapada, porque lá eu vou estar bem longe de mim.





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